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Não há nada que, quando praticado em excesso, não seja prejudicial ao organismo. E correr, uma actividade física altamente recomendada, não foge à regra. “A prática de desporto (que é diferente de ser atleta) é salutar desde que seja feito dentro do bom senso e de alguns limites biomecânicos do organismo. Não existe qualquer atleta de alto rendimento ou de alta competição que não crie mazelas no corpo, seja internas ou externas. Isto porque fazer exercício físico tem consequências. E em excesso, ou intensidades elevadas, é a receita certa para estarmos a castigar o nosso corpo”, explica o runner Luís Moura, um dos membros do Correr na Cidade.

Segundo o especialista, muitos dos cidadãos que começaram a correr recentemente fazem-no “pela moda ou pressão social” e, assim, esquecem-se de “colocarem em primeiro plano o que efectivamente querem”.

“Vê-se muita gente a fazer Meias Maratonas em três horas ou mais – com maus vícios de treinos, muito má alimentação, sem preparação mental, sem plano de corrida – e mal acaba começam logo os elogios no Facebook: ‘És o(a) maior’, ‘és um exemplo para todos’ , ‘já ganhaste a todos os que ficaram no sofá’ , ‘queria ter a tua força de vontade’ , ‘máquina!!!’”, argumenta.

Segundo o responsável, para trás fica um grande sofrimento e “todo o mal que [a corrida exagerada] fez ao corpo, músculos, tendões e órgãos internos”. Por outro lado, uma grande parte destas pessoas tem excesso de peso ou “uma vida extremamente sedentária”, o que não ajuda no processo de correr de forma ponderada.

O responsável dá outro exemplo com uma das novas modas dos runners, o trail, onde o que interessa é a “superação interna”. E isso nem sempre vem com resultados positivos. “Nem que seja preciso seis horas para fazer um trail de 25km. Que impactos aquelas seis horas vão ter no corpo?”, pergunta-se Luís Moura. “Ganha-se o quê com este tipo de provação? Conseguem correr um pouco mais rápidos do que muitos caminham para o trabalho? Sinceramente! Já pensaram no mal a curto e longo prazo que estão a fazer ao corpo ao aventurarem-se em empreitadas que são muito acima do que deveriam fazer com essa condição física?”, conclui.

Leia o resto do texto no Correr na Cidade e conheça também algumas dicas para começar a correr de forma pondera – e mais saudável.

Foto: Lachlan Donald / Creative Commons

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