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Depois de várias horas de negociações, a comunidade internacional alcançou um acordo histórico para limitar a emissão de gases que provocam o efeito estufa. Reunidos em Kigali, capital do Ruanda, cerca de 200 países comprometeram-se com um calendário para a eliminação progressiva dos hidrofluocarbonetos (HFC), um gás utilizado para a refrigeração, 14 vezes mais nocivo para o ambiente que o CO2.

Já considerado histórico pelos analistas internacionais, o Acordo de Kigali é uma correcção do Protocolo de Montreal, firmado inicialmente em 1987. O novo Acordo estabelece que a mudança será impulsionada pelos países desenvolvidos, com objectivos e números bem claros: partindo dos níveis de 2011-2013, a produção e consumo de HFC terá de reduzir 10% até ao final de 2019 e cerca de 85% antes de 2036. Numa segunda fase entrarão em acção os países em vias de desenvolvimentos, caso do Brasil e China, que terão até 2024 para iniciar a transição, e para reduzir o consumo deste gás em 10% até 2029 e cerca de 80% até 2045. Um terceiro grupo de países em desenvolvimento, caso da Índia, Paquistão, Irão, Iraque e países do Golfo, só fará esforços de redução a partir de 2028.

Introduzidos nos anos 90 em alternativa aos produtos químicos que causavam buracos na camada de ozono, os HFC vieram a revelar-se catastróficos na equação que leva ao aquecimento global. A noticia menos má é que estes gases apenas aguentam na atmosfera entre cinco a dez anos, pelo que a sua eliminação, ou pelo menos redução, terá efeitos imediatos no aquecimento global. As estimativas apontam para uma diminuição na ordem dos 0,5°C até 2100, segundo dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

O acordo agora firmado é visto também como um sinal muito positivo, agora que estamos a poucos dias da COP 22, a Conferência Anual sobre o Clima, a acontecer de 7 a 18 de Novembro em Marraquexe, Marrocos.

Foto: via Creative Commons 

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