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Mais de 300 espécies de mamíferos, desde chimpanzés, hipopótamos e morcegos, estão a ser comidas até à extinção pelo Homem, de acordo com um estudo internacional agora lançado sobre o comércio de carne de animais selvagens.

O comércio de carne de animais selvagens é pratica comum antiga para populações rurais espalhadas pelo mundo. Mas à medida que as malhas do desenvolvimento se apoderam destas zonas, a carne destes animais está a deixar de ser um meio de sobrevivência, para ser visto como um negócio lucrativo, deixando a pouco e pouco estes locais desprovidos de toda e qualquer vida selvagem.

O estudo agora publicado na revista Royal Society Open Science alerta exactamente para esta realidade: se não forem tomadas medidas urgentes para contrariar esta situação, a extinção de algumas destas espécies levará ao colapso do sistema que suporta a alimentação destas populações.

Os investigadores guiaram-se pela “lista negra” da International Union for Conservation of Nature’s (IUCN) para identificarem quais as espécies em vias de extinção, como consequência da caça para alimentação. Pelo cruzamento de dados, descobriram que 301 espécies, ou seja 7% de todos os mamíferos terrestres avaliados pela IUCN e cerca de um quarto dos mamíferos em vias de extinção, estão em perigo.

“Há uma imensidão de coisas ruins que afectam a vida selvagem, actualmente. A degradação e perda de vida selvagem sobressaem, mas temos também de prestar atenção ao colossal impacto que a caça de carne de animais selvagens provoca no ambiente”, esclarece David Macdonald, responsável por esta equipa de investigação, ao The Guardian.

“O número de caçadores envolvidos neste esquema aumentou, e a penetração das redes rodoviárias para os lugares mais remotos é tal que se torna impossível controlar. O que antes era apenas um coelho na panela de uma família na zona, torna-se agora algo comercialmente apetecível. Nos Camarões, só para dar um exemplo, ao amanhecer é possível ver uma imensa fila de táxis saindo para as áreas mais remotas destes locais, para regressarem ao fim do dia carregadas de carne de animais selvagens, para vender na cidade mais próxima”, alerta David.

É bastante difícil contabilizar a verdadeira dimensão global do comércio de carne de animais selvagens. Números de 2011, do Center for International Forestry Research, estimavam que perto de 6 milhões de toneladas de animais eram “recolhidas” todos os anos. Outro estudo indicava ainda que perto de 89 mil toneladas de carne, com um custo aproximado de $200m, eram retiradas todos os anos da selva da Amazónia. Esta carne é traficada para o exterior, com umas impressionantes 260 toneladas de carne a serem apreendidas todos os anos, apenas no aeroporto de Charles de Gaulle, em Paris.

Foto: Carl de Souza/AFP

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