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A cultura económica dominante continua a incentivar a sobreprodução de alimentos, mas a verdade é que um terço do que produzimos é desperdiçado. O que deitamos todos os dias para o lixo daria para acabar com a fome no planeta.

A indústria alimentar é, hoje em dia, uma das maiores ameaças para o planeta, sendo responsável pela desflorestação de 80% das florestas tropicais e subtropicais e de 30 a 35% das emissões de gases poluentes. Segundo a FAO – a organização da ONU para a Agricultura e Alimentação – este consumo desenfreado dos recursos do planeta contribui para níveis de produção sobredimensionados.

A consequência desta sobreprodução é obscena: cerca de um terço do que produzimos vai para o lixo. Segundo as Nações Unidas, esse desperdício daria para alimentar toda a população no mundo que passa fome, actualmente estimada em 800 milhões de pessoas. Em rigor, segundo os cálculos da FAO, o que desperdiçamos daria para alimentar em dose dupla essa população carenciada e ainda sobrariam alimentos.

Produzir mais alimentos do que consumimos nas sociedades desenvolvidas significa também multiplicar a quantidade de fertilizantes, pesticidas, sementes, combustível e áreas de cultivo. A cadeia de desperdício é avassaladora. Se o volume de comida desperdiçada correspondesse a um país, este seria o terceiro maior produtor de gases de efeito de estufa, logo a seguir à China e aos Estados Unidos, argumenta Tristram Stuart, autor do livro Waste: Uncovering the Global Food Scandal.

Foto: via Creative Commons 

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