bolo-rei

São vários os alimentos que contêm um teor de açúcar elevado, como refrigerantes, bolos, sobremesas, gomas, chocolates, gelados, leites fermentados e iogurtes sem adição de açúcar, cereais açucarados, fruta em calda, compotas de fruta e bolachas (com ou sem recheio).

Mesmo os bolos sem creme, os iogurtes sem adição de açúcar, sobremesas com sabor menos doce, entre outros alimentos, podem conter açúcar sem ser perceptível, mascarado através do sabor ácido, do frio ou outros sabores mais intensos.

Esta fonte de obtenção de energia apenas deverá contribuir no máximo com dez por cento da energia total diária, uma vez que o seu consumo em excesso induzirá o aumento da deposição de gordura no tecido adiposo, contribuindo para o aumento de peso e outras patologias associadas. Conheça as consequências do consumo exagerado de açúcar:

1. Memória

Consumir elevadas quantidades de frutose diariamente pode prejudicar a aprendizagem e a memória. É o que indica um estudo publicado no Journal of Physiology. No estudo, conduzido por uma equipa da Universidade da Califórnia, ratos que ingeriram xarope de milho rico em frutose (encontrada em produtos industrializados, como refrigerantes, condimentos e comidas para bebés) apresentaram um declínio na memória e queda no número de sinapses cerebrais. Essa queda nas sinapses acaba por deixar o cérebro mais lento. A boa notícia é que a ingestão de alimentos ricos em ácidos gordos ómega-3 protege contra os danos causados pelo açúcar.

2. Miopia

Quando ingerimos muito açúcar, os níveis de glicose no sangue disparam. Para conter esse aumento desmedido, o corpo lança insulina no sangue. Assim, uma hiperglicemia acaba por gerar uma hiperinsulimia. Segundo Michel Raymond, investigador do Instituto de Ciências Evolutivas da Universidade de Montpellier, na França, repetidas hiperinsulimias têm respostas fisiológicas prejudiciais ao organismo. E uma delas afecta directamente a maneira como as pessoas visualizam os objectos.

Dados médicos relacionam esses aumentos drásticos e constantes da insulina com a desregulação do crescimento dos eixos ópticos oculares (local do olho por onde entra a luz que chega à retina), uma das causa da miopia. O açúcar também, em quantidade elevada no sangue, deixa os líquidos dos olhos mais densos, o que pode levar à miopia.

3. Síndrome metabólica

A síndrome metabólica caracteriza-se por níveis elevados de triglicerídos, baixo nível de colesterol HDL (considerado o colesterol “bom”), hipertensão arterial, resistência aos efeitos da insulina e glicemia, contribuindo para o aparecimento de doenças cardiovasculares. De acordo com um artigo de Agosto de 2011, publicado no Archives of Medical Science, a síndrome metabólica pode ser o resultado da ingestão de uma alimentação com elevado índice glicémico, particularmente de frutose. Segundo o artigo, estudos anteriores em animais já haviam demonstrado que a exposição do fígado a quantidades elevadas de frutose leva a uma acumulação de triglicéridos.

Um artigo publicado no The Journal of the American Medical Association (JAMA), em 2009, aponta ainda que o consumo excessivo de açúcar está relacionado com a presença de elevados índices de triglicéridos e baixos níveis de HDL. No estudo, os voluntários que ingeriram as maiores quantidades de açúcar apresentaram níveis mais elevados de colesterol. Segundo a Associação Americana do Coração, o consumo excessivo de açúcar é um factor de risco, sendo apontado, inclusive, como uma das possíveis causas para a epidemia de obesidade.

4. Hipertensão

Ingerir bebidas açucaradas em excesso pode elevar os riscos de pressão alta. De acordo com uma pesquisa da Escola de Saúde Pública do Imperial College London, no Reino Unido, consumir mais de 355 mililitros de sumos de fruta com açúcar ou refrigerantes pode aumentar a pressão sanguínea em até 1,6 milímetro de mercúrio (mmHg, unidade padrão de medida da pressão arterial).

5. Gota

Bebidas ricas em frutose, como refrigerantes e sumos de laranja, podem aumentar os riscos de gota em mulheres na menopausa, em função do aumento nos níveis de ácido úrico. A gota é uma doença causada pelos depósitos de cristais de urato de sódio, que se acumulam nas articulações. Isso acontece quando há níveis elevados de ácido úrico no sangue. Segundo um estudo da Universidade de Boston, publicado no The Journal of the American Medical Association (JAMA), em 2010, o consumo diário de refrigerantes aumentou em 74% as probabilidade de as mulheres desenvolverem gota.

6. Acidente vascular cerebral

Investigadores do Instituto de Bem-Estar da Clínica Cleveland e da Universidade de Harvard descobriram que o consumo elevado de refrigerantes açucarados está associado a riscos mais elevados de sofrer um acidente vascular cerebral. O açúcar presente nas bebidas pode levar ao aumento dos índices de glicose e insulina no sangue, o que, com o tempo, pode levar à intolerância à glicose, resistência à insulina e inflamações. Essas mudanças fisiológicas podem provocar arteriosclerose, estabilidade das plaquetas no sangue e trombose – três importantes factores de risco para o acidente vascular isquémico (derrame causado pela interrupção do fornecimento de sangue ao cérebro). O estudo foi publicado no American Journal of Clinical Nutrition.

7. Cancro

Segundo um estudo reazlizado pela Faculdade de Medicina Albert Einstein, da Universidade Yeshiva, nos Estados Unidos, índices elevados de açúcar no sangue estão associados a um maior risco de desenvolver cancro colorretal em mulheres. Na pesquisa, publicada no British Journal of Cancer, as mulheres que tinham os níveis mais elevados de açúcar no sangue apresentaram duas vezes mais probabilidades de desenvolver cancro.

8. Acne

Alimentos com elevado índice glicémico (como doces, batatas e arroz branco) podem agravar ou mesmo fazer com que apareça acne, concluiu um estudo. A ligação entre a dieta e incidência de acne é um tema que gera polémica há anos. Mas uma revisão de pesquisas feitas nos últimos 50 anos indica que, sim, a associação existe. A conclusão é que alimentos com muito açúcar, além de leite, podem deflagrar ou agravar o acne.

Os autores do trabalho, publicado no Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, sugerem que dermatologistas devem trabalhar em parceria com nutricionistas para ajudar os pacientes que sofrem de acne.

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