Kivalina, a aldeia ameaçada

Situada 135 quilómetros a norte do Circulo Árctico, a ilha-aldeia de Kivalina, no Alaska, está cada vez mais claustrofóbica, à medida que as tempestades lhe roubam espaço e os 403 habitantes se vêem encurralados pela água.

Segundo o Los Angeles Times, não existe mais espaço para construir na ilha ou, sequer, colocar novos túmulos no cemitério, devido às consequências das alterações climáticas, que empurram a aldeia para o mar.

O Army Cops of Engineers acredita que, em 2025, a aldeia estará completamente debaixo de água: hoje, ela encontra-se entre 1,8 e três metros acima do nível médio do mar, mas já chegou a estar 120 metros acima do oceano.

Durante séculos, a ilha protegia-se das tempestades de Inverno através de uma barreira de gelo. No entanto, esta protecção natural foi destruída nas últimas décadas pelo aquecimento global, o que levou à construção de uma parede de defesa, em 2008 – uma solução que se mostrou impotente para travar uma grande tempestade de 2011.

Nos últimos anos, o Governo norte-americano deixou de investir dinheiro em Kivalina, pelo que os seus habitantes já afirmaram que gostariam de ser relocalizados para outra vila, ainda que ninguém saiba se isso será possível e, na verdade, quem o irá pagar.

“Cresci aqui e toda a gente que conheço vive cá”, explicou ao LA Times Shelby Adams. “Temos de sair daqui porque o oceano está-nos a comer lentamente”. Hoje, 80% da população não tem casa de banho nas suas casas ou água potável, tendo de a carregar através de tanques existentes na aldeia. A escola também está sobrelotada, com os seus 154 alunos.

A ilha de Kivalina foi descoberta em 1847 pela marinha russa e é habitada pelos Inuit.

Foto: ShoreZone / Creative Commons

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