Já não se fazem paragens assim

Em 2002, Christopher Herwig pedalou de Londres, Reino Unido, até St. Petersburgo, na Rússia. Antes de pegar na bicicleta, ele fez uma promessa a si próprio: tirar uma fotografia interessante de hora a hora.

Quando chegou à Lituânia, Christopher percebeu que a única estrutura que se destacava era a paragem de autocarro. Ou melhor, as várias que ia encontrando. “A primeira paragem que me fez abrir os olhos foi em Marijampole, nos subúrbios de Kaunas. Era perfeita, como uma casa de bonecas: linda, clássica, simples e inspiradora”, explicou.

Depois desta viagem, o fotógrafo regressou à Europa de Leste à procura de outras paragens – literalmente – e, desde então capturou as paragens de autocarro de 13 países que pertenciam à antiga União Soviética. Inclusive da região de Abkhazia. Assim nasceu o projecto Soviet Bus Stops.

“Algumas pessoas nem queriam acreditar quando me viam a tirar fotos às paragens de autocarro, pensavam que eu estava à procura de algo negativo do seu país”, explicou. “Muitas delas estavam sem manutenção e eram usadas como casa de banho pública”.

Agora, Christopher recebe muitos emails a agradecer e elogiar o projecto, que já ultrapassou fronteiras. “Há uma combinação de factores que dão popularidade a este projecto. As paragens são as estruturas oprimidas da arquitectura, nunca são levadas a sério. Mas através delas podemos ver que alguém as levou muito a sério. Não uma, mas centenas de vezes”, concluiu.

Quase quinze anos depois de começar o projecto, o fotógrafo acredita que as paragens de autocarro soviéticas não estavam relacionadas com as grandes infra-estruturas e majestosas construções do país de então. “Não são grandes projectos que mostravam ao mundo o poder soviético, mas sim uma forma de os artistas locais se exprimirem”.

Comentários (Facebook):

Deixar uma resposta