“A Tela Bags é hoje reconhecida como a marca de eco-design de referência em Portugal”

“A Tela Bags é hoje reconhecida como a marca de eco-design de referência em Portugal”

Lançada em Maio de 2006, a Tela Bags é hoje uma referência do melhor eco-design que se faz em Portugal. Esta é a opinião de Helena Ferreira Pinto, co-fundadora e brand manager da Tela Bags.

Nesta entrevista, a responsável revelou que o embrião da marca esteve na quantidade de publicidade exterior que, depois de terminar a primeira edição do Rock In Rio, ficou espalhada pela cidade de Lisboa e admitiu, a curto prazo, uma “forte aposta nos mercados europeus”.

 

Como surgiu a ideia para lançar a Tela Bags?

Transformar as sobras das campanhas de comunicação, evitando o seu destino habitual, o aterro, em peças de design é o conceito que deu origem à Tela Bags.

As necessidades de comunicação das empresas e das instituições geram grandes quantidades de material não reciclável, como telas de PVC, bandeiras de poliéster, brochuras ou cartazes em papel. A Tela Bags, em parceria com entidades como museus, teatros e empresas, transforma estes materiais publicitários e de comunicação, desactualizados, em peças únicas de eco-design, numa nova abordagem ao conceito de moda.

Como, quando e onde foi lançada, em termos práticos, a marca?

A ideia da Tela Bags nasceu com a primeira edição do Rock in Rio, em Lisboa, quando a cidade ficou coberta de publicidade exterior de divulgação do evento – sobretudo telas. Fizemos a pergunta “o que acontece a este material após o evento?”, e a resposta foi: o lixo! Assim nasceu a ideia de reaproveitar estas telas – um material durável, maleável, e graficamente interessante – em peças úteis. Ou seja, dar uma segunda vida a materiais cujo destino seria o aterro.

A marca Tela Bagas nasceu em Maio de 2006, com a Colecção Chiado.

Quais as principais dificuldades encontradas no lançamento do projecto?

O maior desafio inicial do projecto foi conseguir conciliar os vários elementos: angariar o material (as telas de publicidade), o design e produção das primeiras colecções (material totalmente novo), e finalmente a sua comercialização (uma marca com um conceito novo).

Quais os principais responsáveis pela empresa?

Como directora executiva e empreendedora do projecto, Helena Ferreira Pinto. Como directora criativa e responsável pelas colecções, Marta Castelo Branco.

A Tela Bags foi lançada a partir de uma ideia que tem por base a aposta na sustentabilidade – e que foi transposta para um negócio? Ou, por outro lado, numa ideia comercial que aposta na sustentabilidade para ser bem sucedida?

A ideia que deu origem à marca Tela Bags teve como conceito base a sustentabilidade – o reaproveitamento de materiais que de outra forma seriam lixo. É um exemplo de como é possível desenvolver um negócio de sucesso assente em princípios de responsabilidade social.

Utilizam materiais reciclados para produzirem os vossos acessórios. Mas há algum material utilizado que possa ser prejudicial ao ambiente?

Não, isso iria contra os princípios base do projecto. Todos os materiais são recicláveis ou reutilizáveis, como os acabamentos, e nenhum é de todo nocivo para o meio ambiente. Todo o processo de produção foi desenhado de forma a minimizar o impacto ambiental, como por exemplo a utilização de detergentes biodegradáveis para a lavagem das telas.

Quanto tempo é necessário para fazer uma Tela Bag?

Depende do material de que é feito a peça.

No caso da Linha Press, feita a partir de reaproveitamento de papel (jornais, revistas…), cada mala exige um trabalho minucioso de composição do papel sobre o qual estamos a trabalhar – revistas, folhetos – para que o aspecto final seja o mais atractivo possível.

No caso da Linha X ou ID, feita a partir de telas de publicidade usadas, trata-se de escolher o melhor enquadramento de cada tela e conjugar o tema com os respectivos acabamentos, o que leva também o seu tempo.

Quantos criativos têm nas vossas equipas?

A equipa criativa é bastante flexível. Além de uma estrutura base, trabalhamos com vários designers externos – desde designers industriais no desenvolvimento de novos modelos, até designers gráficos para os materiais de comunicação. É uma forma de assegurar a criatividade através da interacção de várias pessoas.

Onde encontram os materiais para desenvolverem os acessórios?

Os materiais que utilizamos são considerados desperdícios, cujo destino seria o lixo ou o aterro. A Tela Bags tem acordos com várias entidades – desde empresas a museus e centros de exposição – com quem estabelece parcerias para a recolha e reutilização dos materiais (telas, revistas, etc).

A Tela Bags é reconhecida hoje como uma empresa muito ligada à sustentabilidade, por razões óbvias. Para além dos vossos próprios produtos, investem noutros projectos relacionados com o desenvolvimento sustentável?

A Tela Bags é hoje reconhecida como a marca de eco-design de referência em Portugal devido à dedicação da sua equipa ao longo destes quatro anos. Como marca inovadora, estamos sempre a desenvolver novos projectos na área da sustentabilidade, normalmente em parceria com empresas.

As vossas malas são vendidas em quantas lojas portuguesas? E globalmente?

As malas da Tela Bags estão presentes de Norte a Sul de Portugal, em cerca de 50 pontos de venda. A nível internacional, estamos em mais de 10 países, sobretudo na Europa, mas também no Japão e EUA.

Para além de malas, que outros acessórios produzem?

Desde a capa para bloco de notas, ao porta-moedas e porta-chaves, passando por pochettes e necessaires.

Quantos colaboradores têm hoje?

A nossa estrutura base é composta por seis colaboradores de forma directa, mas trabalhamos com várias equipas (design, produção e comunicação), num total de cerca de 50 pessoas.

Quando internacionalizaram a marca? As malas são todas feitas em Portugal?

A internacionalização da marca Tela Bags foi definida como objectivo desde o início. Passados seis meses da sua criação, estávamos na principal feira internacional em Paris, onde ganhámos o prémio de “Melhor Colecção”.

Os lançamentos das colecções de Verão e Inverno são apresentados nas feiras internacionais – Londres e Paris – duas vezes por ano, em linha com a estratégia de internacionalização da marca.

Qual a estratégia para o médio e longo prazo? Continuar a internacionalização ou há novas ideias sustentáveis na calha?

A estratégia de internacionalização está definida a médio prazo, com uma aposta forte nos mercados europeus, onde temos vindo a desenvolver não só a rede de distribuição mas também a divulgação da marca.

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