Grécia: agricultores arrendam terrenos e entregam alimentos em casa do cliente

Grécia: agricultores arrendam terrenos e entregam alimentos em casa do cliente

A crise grega está a levar os cidadãos que vivem, sobretudo, nas cidades, a virarem-se para a agricultura. Não estamos a falar de hortas urbanas ou mesmo do regresso ao campo, mas sim de um esquema que os leva a comprar alimentos directamente ao agricultor, poupando assim 70% do preço habitual destes produtos agrícolas.

O programa chama-se “Torne-se um agricultor” e leva o agricultor a arrendar um pedaço da sua terra para um determinado cliente. Este cliente escolhe que produtos quer cultivar e confia este trabalho ao trabalhador rural. Os vegetais são entregues semanalmente.

“Queremos criar uma ligação directa entre os consumidores e os produtores”, explica Dimitris Koutsolioutsos, um ourives de Atenas que está por trás desta ideia. “Temos um agricultor real, um cliente real e um pedaço físico de terra onde podemos – que temos, aliás – de visitar. É uma forma alternativa à produção e distribuição de comida”.

Este empreendedor grego que diz há vários benefícios para o agricultor: ele sabe, antecipadamente, o que tem de plantar, a quantidade e quando tem de colher. As culturas saem tão baratos porque o agricultor sabe que vai vender tudo o que produz. E assim tem um rendimento estável e garantido.

Os terrenos variam entre os 70 e os 100 m2 e as escolhas são feitas mensalmente – há um total de 20 produtos a seleccionar, 10 de Verão e 10 de Inverno.

A produção é entregue semanalmente, 24 horas depois de os produtos serem colhidos. Caso o cliente esteja fora de casa, pode escolher uma instituição de solidariedade social onde os produtos serão entregues. Ou seja, há uma grande componente social no projecto.

Hoje, o projecto tem 5.000 agricultores subscritores e outros 900 já anunciaram que querem participar, de acordo com Jon Henley, jornalista do The Guardian que está na Grécia a “contar as histórias das pessoas reais”. Esta semana serão entregues os primeiros vegetais a 100 famílias. Em Setembro este número subirá para os 500.

No futuro, o projecto evoluirá para a distribuição de carne e ovos, tudo a metade do preço. “Isto é muito honesto e transparente, ninguém vai enganar ninguém. Para os agricultores, é um sonho tornado realidade. Para os consumidores, é comida fresca de qualidade, muito mais barata. Isto vai dar certo”, concluiu Koutsolioutsos, que já investiu €40 mil (R$103 mil) no projecto.

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