Fotógrafo americano transforma paisagens poluídas em obras de arte (com FOTOS)

Fotógrafo americano transforma paisagens poluídas em obras de arte (com FOTOS)

O fotógrafo David Maisel capta desastres ambientais em zonas de exploração mineira desde a década de 1980. Do interior de um avião, ele registou paisagens cobertas de manchas coloridas de cianeto em minas do sudeste dos Estados Unidos, em terrenos à volta de uma empresa de magnésio acusada de gerar resíduos perigosos.

O portfólio de Maisel está recheado de deprimentes registos do progresso humano e da industrialização, embora não se pareçam com imagens de contaminação em massa. O resultado das fotografias, com curiosas formas e matizes de óleo, quase convencem o CEO de uma empresa de produtos químicos poluentes a pendurá-las nas paredes do escritório como arte abstracta.

O trabalho deste fotógrafo já percorreu museus por todo o país e o artista regista agora mais um feito na sua carreira, com a sua primeira colectânea de paisagens poluídas. “Black Maps: American Landscape and the Apocalyptic Sublime” está repleto de fotografias seleccionadas como espelhando um misto de fascínio e destruição ambiental.

“É quase como se a beleza e o horror fossem duas partes da mesma moeda neste trabalho”, revela o fotógrafo, segundo o The Atlantic Cities.

O famoso Great Salt Lake, retratado no seu trabalho, é um dos locais que está transformado num lago contaminado, verdadeiro posto de armazenamento de armas químicas em decomposição. As cores vibrantes em torno do lago derivam da presença de sódio, cloreto, potássio, talvez molibdénio, algas, bactérias e outras substâncias.

Também o Owens Lake mereceu o seu destaque – muita da água foi desviada para o Aqueduto de Los Angeles, no início do século XX, como forma de saciar a sede da cidade em crescimento. Não foi uma grande ideia, no entanto, uma vez que o leito do lago secou e começou a produzir enormes tempestades de pó alcalino, algumas contendo substâncias cancerígenas, como arsénico e cádmio. A água que hoje resta é vermelha, assemelhando-se a um fio de sangue, proveniente de uma bactéria amante de sal.

As fotos de Los Angeles foram captadas de um helicóptero, em vez de um avião, devido ao tráfego aéreo que toma conta do ambiente urbano.

Este parece ser o destino final destas paisagens naturais, uma vez que os custos de limpeza de alguns dos locais podem revelar-se incrivelmente elevados, competindo com o valor dos metais que daí possam ser extraídos.

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