Vamos brincar com o ambiente? (com JOGOS)

Os olhinhos a brilhar ou a expressão “Eu prometo que vou fazer!” dita por dezenas de crianças assim que termina uma acção EcoMania, enchem Margarida Fernandes de alegria. Engenheira do ambiente, criou esta empresa dedicada a projectos de educação ambiental em 2006. A experiência não podia ser mais gratificante. E desafiante. Até porque todas as etapas das iniciativas que realiza em escolas, e também em empresas, são feitas internamente, da abordagem ao tema até à concepção dos materiais.

“Desafiar a minha criatividade diariamente é estimulante. E quanto mais a estimularmos mais criativos somos”, acredita Margarida Fernandes. Mas para falar de ambiente é também necessário, além dos conhecimentos base, muita pesquisa para “fugir aos clichés, às ideias básicas, ao que é feito à nossa volta”, acrescenta.

Desde que foi lançada, a EcoMania já impactou directamente 33 mil pessoas, entre crianças e adultos que participaram nas suas actividades. “E não estou a contar com as pessoas que vêem as nossas exposições”, diz a engenheira do ambiente. Nem com o passa palavra, através da partilha de conhecimentos a amigos, familiares, vizinhos, etc.

Aulas alternativas

Todas as iniciativas com o selo EcoMania são, em primeiro lugar, lúdico-didácticas: “A maioria das crianças nem se apercebe que está a aprender enquanto faz jogos, experiências, vê teatro…”, garante Margarida Fernandes. Há acções para todas as faixas etárias, de crianças em idade pré-escolar a adolescentes e alunos do secundário.

“Não podemos falar com crianças do primeiro ciclo como falamos com as do segundo. As linguagens são diferentes e os recursos [a usar] também”, explica a responsável da EcoMania. E os temas, escolhidos pelas escolas, também são diferentes: para os mais crescidos, biodiesel ou questões mais complexas como aquecimento global ou energia nuclear são as mais procuradas. Objectivo? “Fazê–los pensar, argumentar”.

No início a EcoMania desenvolvia várias acções que ensinavam os mais novos a separar os resíduos de embalagens em casa, como o twister do lixo ou o som dos ecopontos. Hoje, sinal de que já se trata de um hábito, as atenções voltam-se para os resíduos de óleo alimentar.

“Fizemos uma campanha engraçada com o concelho de Oeiras durante três ou quatro anos. Consistia num teatro de fantoches sobre o que era o óleo e o biodiesel, seguido de um jogo sobre o ciclo do óleo. No final era colocado um óleão na escola. Nas primeiras semanas choviam garrafas de óleo, mas passado dois ou três meses acabava por cair no esquecimento. As acções tinham continuidade, até que começou a entrar no dia–a-dia das pessoas separar o óleo”, recorda. Para os alunos do terceiro ciclo a produção caseira de biodiesel é uma das actividades mais pedidas. Com as mãos no óleo alimentar, fazem biodiesel e para que não haja desperdícios aproveitam as sobras deste processo, a glicerina, e transformam-na em sabonete líquido.

“O nosso objectivo não é chegar e debitar informação. Somos contra powerpoints em salas de aula e depois perguntas. Temos de cativar os alunos de outras formas”, explica Margarida Fernandes. Como? “O sucesso das nossas acções passa por fazê-los mexer, pensar, brincar enquanto transmitimos os conceitos. E apelamos muito ao trabalho de equipa, à imaginação.”

Planeta para todos

Os mais novos são o público-alvo da EcoMania, até porque são as crianças quem, com mais facilidade, assimila os conceitos transmitidos e aplica-os no quotidiano. Mas não são os únicos. “O nosso objectivo inicial foi criar serviços para crianças e depois fomos alargando o leque, tanto que já fizemos actividades com seniores”. Entre as muitas já desenvolvidas ao longo destes anos, Margarida Fernandes recorda com carinho a que realizaram com crianças de um ATL e idosos de um lar em Sintra, a pedido do município. Através de jogos tradicionais abordaram temas como energias renováveis, alterações climáticas, uso racional de energia e resíduos.

Autarquias e escolas, sobretudo da Grande Lisboa, têm sido os principais clientes da EcoMania que, face à conjuntura económica, alargou a oferta a empresas. “Até hoje não houve nenhum cliente que não ficasse contente com os nossos serviços e a maioria repetiu. E sentir esse reconhecimento vale tudo”, confessa a directora da empresa. Desde 2008 que a EcoMania comercializa brinquedos ecológicos em madeira, cartão ou movidos a energia solar, e kit’s de experiências. Como o ambiente é de todos, há também produtos para os adultos, de mochilas solares para o portátil a carregadores e lanternas também alimentas pela energia do sol (ver caixa “Eco loja”). Quem disse que a sustentabilidade não é divertida?

Em casa e em família

A directora da EcoMania, Margarida Fernandes, partilha dicas ambientais que podem ser adoptadas em casa com a ajuda dos mais novos. Dê asas à imaginação e desafie os pequenos a seguirem estes e outros eco gestos.

 

• Coloquem uma garrafa de 1,5 litros com água ou areia dentro do reservatório do autoclismo: poupam 1,5 litros de água em cada descarga.

 

• Comprem o pão na padaria e a fruta na mercearia do bairro. E façam as deslocações a estes locais a pé ou de bicicleta. Não só promovem o comércio tradicional como fazem exercício e poupam recursos energéticos.

 

• Convivam: em vez de cada membro da família ver um programa de televisão diferente em aparelhos distintos, reúnam-se numa divisão e assistam a um filme, documentário ou série. Poupam electricidade e é mais divertido.

 

• Mantenham o congelador limpo, não deixando acumular gelo.

 

• Recuperem um hábito que caiu em desuso: calafetar janelas. Melhora o isolamento das divisões e evita o desperdício de energia.

 

Eco loja

É possível encomendar online produtos disponibilizados pela EcoMania. Deixamos algumas sugestões:

 

Camião da reciclagem

Feito com plástico de embalagens de leite, este carrinho ensina os mais novos a separar os resíduos (pág. 39).

Avião em cartão

Para voar até aos limites da imaginação. Ainda em cartão, há casa de bonecas, foguetão espacial, castelo, iglu, cabana…

Brinquedos solares

Quando exposta ao sol, a rã começa a saltar e o carrinho a andar. Outros modelos disponíveis: orangotango, gaivota, grilo…

Carregadores solares

Para pilhas ou aparelhos portáteis, como telemóveis, leitores de mp3, máquinas fotográficas, GPS, etc. Há também mochilas solares para portáteis e lanternas solares.

Lifestyle

Destacamos o Waterpebble, que calcula a quantidade de água que, durante o banho, vai para o ralo.

 

Este artigo foi originalmente publicado na Recicla nº10. Pode ler todas as edições da Recicla no site da Sociedade Ponto Verde, em http://www.pontoverde.pt/  

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