Pedro Joel Costa: “Resiliência comunitária vs desenvolvimento sustentável”

Pedro Joel Costa: “Resiliência comunitária vs desenvolvimento sustentável”

“A RESILIÊNCIA É DEFINIDA COMO A CAPACIDADE que uma comunidade tem em responder positivamente a impactos negativos. O termo foi idealizado para as comunidades ecológicas e é atualmente defendido por muitos como a melhor alternativa ao desenvolvimento sustentável.

O desenvolvimento sustentável caracteriza-se como um tipo de desenvolvimento capaz de assegurar o desenvolvimento da geração atual sem comprometer a geração futura. As três componentes deste tipo de desenvolvimento são a componente social, económica e ambiental.

O conceito de desenvolvimento carece de uma definição clara. Mas afinal o que é o desenvolvimento? A resposta poderá nem sempre ser universal. Esta dependerá dos valores morais, sociais e económicos de cada individuo. Os três pilares do desenvolvimento sustentável perdem sentido neste preciso ponto. A partir do momento em que se pensa neste conceito, este fica dependente de valores, que por sua vez dependem da pessoa que o está a avaliar, o desenvolvimento deixa de ser claro, estando as políticas destinado a ele condenadas ao fracasso. Então como vamos organizar uma sociedade com base no progresso? Para isso teremos de ser reducionistas ao ponto de pensar que determinada aposta irá beneficiar toda uma sociedade, mesmo sabendo efetivamente que não irá.

Qual a solução?

Como disse anteriormente, a resiliência aposta na comunidade e nas capacidades dela. As comunidades é que definem o seu próprio caminho, sendo a função do governo a criação das plataformas de apoio e não a decisão das políticas a tomar nas comunidades (não deveria ser essa mesma a função do governo?). Espelha-se hoje em dia em movimentos como o movimento de transição (Transition Town Network) e assenta-se em políticas de prosperidade dos bens primários (alimentação e saúde).

Privilegia o bem-estar ao desenvolvimento, acaba com políticas capitalistas e aumenta a produção de bens localmente, diminuindo-se a pegada ecológica e promovendo-se a fixação de dinheiro na comunidade. No entanto, ao contrário do que se pensa, estas comunidades não têm necessariamente de viver isoladas. De facto, como podemos assistir nas iniciativas de transição, há uma elevada troca de informação entre as várias comunidades (como assim deveria ser na globalização), trocando-se ideias mas acima de tudo, inspirando-se nelas.

Esta produção local tem elevados benefícios. Há um aumento do conhecimento empírico dentro da comunidade, passando de geração para geração e de vizinho para vizinho, há um aproximar da sociedade à terra, há uma prosperidade alimentar, com troca de alimentos entra as pessoas da comunidade (que trabalham para elas mesmas e não para outras comunidades), há um aumento das relações sociais entre os indivíduos da comunidade, há o decrescimento do abandono e do isolamento e há o aumento das interações e das ocupações.

No fundo, todos somos úteis (não é assim que somos felizes, sendo úteis?). Há a geração de energia localmente, a partir de fontes renováveis (ambientalmente aceites e com maior eficiência não fosse a comunidade a parte mais interessada no assunto). Esta política assemelha-se um pouco à ideia de uma política comunista, no entanto, não é tão utópica como esta, pois quanto menor o espaço de implementação desta política, menor há a probabilidade do erro, pois menos reducionistas teremos de ser, ficando a comunidade, a parte interessada, a responsável pelas políticas corretas a aplicar, não o governo, que em muitos dos casos não faz a devida avaliação do problema o que cria muitas vezes soluções que não são soluções nenhumas.

Numa época de globalização, deveríamos viver um pouco mais como os nossos avós, aproveitando no entanto, tudo aquilo que a globalização tem de bom para dar à sociedade, a informação.”

Pedro Joel Rodrigues da Costa (joel12510@hotmail.com) é aluno de Mestrado em Engenharia do Ambiente na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e escreve segundo o novo acordo ortográfico. Quer publicar o seu artigo no nosso agregador? Envie-nos o seu texto para info@greensavers.pt ou cmartinho@gci.pt. Estamos à procura da sua inspiração ou desabafo.

Foto:  Rui Ornelas / Creative Commons

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1 comment

  1. João Dias de Sousa

    Acho o artigo interessante mas como diz o próprio autor, não tem realmente nada de novo. Basta lembrarmo-nos dos primeiros “colonos” Israelitas (1880) organizados em comunidades Kibutz que hoje já funcionam como comunidades capitalistas…. Leiam sobre “Kibutz” nem que seja sumariamente na Wikipédia e verão. O grande problema é que há hoje em dia um tão enorme conjunto de fatores que condicionam e influenciam o Homem que me parece utópico o “voltar ao tempo dos nossos avós” como indicado no texto. Note-se que não tenho nada contra esse sistema (que aliás ainda existe em regiões longínquas – relativamente a nós – e mais ou menos isoladas!) bem pelo contrário, mas penso que serão sempre uma minoria no futuro próximo e até longínquo, salvo se houver algo que acontece à nossa pobre Terra que nos obrigue a recomeçar tudo do zero.

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