Por que é que o verde nem sempre é mais verde para as cidades?

Depois de um longo período em que as cidades foram reclamadas pelo asfalto, tijolo e indústrias, o conceito de cidades verdejantes está a ganhar popularidade, mas desta vez com um toque pós-industrial.

A deslocação das grandes indústrias para fora das cidades deixou grandes áreas livres para a erva daninha e todo o tipo de vegetação crescerem mas, nos últimos anos, estes espaços têm vindo a ser recuperados e convertidos em espaços verdes ou quintas urbanas. Exemplos são o London Olympic Park e o New York High Line (na foto), um parque que foi construído numa antiga zona ferroviária de Nova Iorque, em que os descampados foram transformados em parques verdejantes.

Porém, esta tendência está a espalhar-se um pouco por todo o mundo. Em Sydney e Chicago existem propostas para transformar antigos viadutos em parques. Na Cidade do Cabo, os arquitectos têm planos para remodelar um viaduto inacabado e transformá-lo num parque combinado, numa estação eléctrica reciclada e num museu. Em Londres, outro projecto ganhou uma competição para uma “High Line”, que poderá transformar um túnel abandonado numa quinta urbana em forma de cogumelo, refere o Guardian.

Mas como é que todos estes projectos, em várias cidades do mundo, surgiram tão rapidamente e por que é que são tão populares? E serão uma presença constante nas cidades num futuro próximo? Uma resposta óbvia a estas questões é o aumento da preocupação com a sustentabilidade, assim como a noção, que pode ser questionável, de que alguma coisa que tenha muito verde é bom para o ambiente.

As quintas urbanas são também uma parte particular desta tendência. Porém, a tendência no geral não agrada a muita gente. A cultura citadina está há várias décadas enraizada nas grandes cidades, e as pessoas procuram estes locais exactamente pela sua urbanidade.

Desta forma, construir espaços verdes e quintas urbanas em locais pouco expectáveis pode não atrair os habitantes da zona. Muitas vezes, nestes antigos locais industriais que agora estão abandonados ainda vivem pessoas que, para a concretização dos projectos, vêem-se obrigadas a mudar de casa. Paralelamente, mercados de rua, comércio locais e pequenos edifícios históricos, que floresceram a par com as antigas indústrias, acabam também por ser demolidos.

A construção de quintas urbanas também pode não ser bem encarada, já que a agricultora, contrariamente à jardinagem, que é encarada como um passatempo, é vista como uma obrigação e tal consideração pode afastar as pessoas destes locais, que voltam assim a ser invadidos pela vegetação selvagem.

No entanto – e há sempre um mas – a evolução das cidades poderá ditar, também,  a evolução da mentalidade das pessoas. E o leitor, acredita que a reabilitação de espaços industriais em jardins e parques é uma mais-valia para as cidades?

Foto:  David Berkowitz / Creative Commons

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