Snowden: Estados Unidos espiaram conferência do clima das Nações Unidas

Snowden: Estados Unidos espiaram conferência do clima das Nações Unidas

Um documento recentemente revelado pelo informador Edward Snowden indica que a Agência de Segurança dos Estados Unidos da América (NSA) espiou as comunicações de governos de outros países antes da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2009, pretendendo continuar a fazê-lo durante a mesma, informa o site The Huffington Post.

Colocado num site interno da NSA no dia 7 de Dezembro de 2009 – o primeiro dia da conferência que ocorreu em Copenhaga, na Dinamarca -, o documento refere que analistas da NSA e de serviços de inteligência do Reino Unido, Canadá, Austrália, e Nova Zelândia (com os quais os Estados Unidos partilham informações) “irão fornecer aos responsáveis políticos visões únicas, oportunas, e valiosas sobre as preparações e os objectivos de países-chave presentes na conferência”.

A conferência em Copenhaga reuniu 195 países com o objectivo de se negociar medidas que resolvessem o impacto do aumento das emissões de gases de efeito estufa, tendo sida a primeira grande reunião do género após a eleição do Presidente dos Estados Unidos Barack Obama em 2008.

O documento partilhado por Snowden indica que a agência de segurança norte-americana pretendia reunir informações sobre o que os líderes e as suas equipas de negociações discutiam em reuniões privadas durante a conferência, cujos detalhes eram “de grande interesse para os nossos políticos”, afirma o documento. As informações adquiridas através de espionagem a telefonemas e e-mails seriam depois remitidas para autoridades norte-americanas, tais como a Secretária de Estado Hillary Clinton e o Presidente Barack Obama, entre outros.

No final da conferência, Obama anunciou que ele e os líderes da China, da Índia, do Brasil e da África do Sul, assinaram o “Acordo de Copenhaga”. O documento de três páginas estabeleceu uma meta para manter o aumento médio da temperatura mundial em menos de 2 graus Celsius, mas permitiu aos países definir os seus próprios planos de redução de emissões – não permitindo a criação de um tratado formal. Alguns países alegaram que tal acordo era meramente uma decisão política elaborado fora da conferência e que deixa incerta a realização de futuras negociações.

Obama definiu o trabalho da NSA como importante na luta contra o terrorismo, mas o documento que Snowden agora revela indica que a agência norte-americana desempenha um papel mais amplo na defesa internacional dos interesses dos Estados Unidos.

Foto: Abode of Chaos / Creative Commons

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