Combater os sacos de plástico com arte japonesa do século VIII (com FOTOS)

Combater os sacos de plástico com arte japonesa do século VIII (com FOTOS)

Um dos grandes desafios da humanidade é acabar com os sacos de plástico. A afirmação pode parecer radical, mas a verdade é que dezenas de cidades, em todo o mundo, estão a limitar a utilização de sacos de plástico, de forma progressiva ou, inclusive, total e brusca.

Se nos seguiu no fim-de-semana, deverá lembrar-se de um artigo que publicámos ontem, que aborda esta necessidade de acabarmos com o saco de plástico. Coincidência ou não, o episódio 250 do Economia Verde aborda o tema mas de uma outra perpectiva: a substituição do saco de plástico por panos que embrulham objectos a partir da arte japonesa do furoshiki.

Esta arte japonesa, que remonta ao século VIII, contribui para reduzir o desperdício e é hoje revalorizada como alternativa aos sacos de plástico. “A ideia é acabar com [os sacos de plástico] e pegar em tecido – quadrados de tecido robustos em termos de malha, que aguentem bem o peso – e colocar lá dentro os nossos pertences, envolvê-los no tecido naquilo que os nossos avós e pais conheciam como uma pequena trouxa”, explicou ao Economia Verde Susana Domingues, especialista nesta arte.

Susana é responsável por um workhsop que aposta nas artes japonesas para reutilizar e renovar a roupa. Numa altura em que cada português gasta mais sacos de plástico que a média europeia – cerca de 466 por habitante ao ano – o furoshiki e o sashiko, outra técnica oriental, podem ser uma boa resposta para melhorar a nossa responsabilidade ambiental.

“Sashiko significa pequenos golpes”, explica Susana Domingues. “Ele surgiu de uma necessidade, sobretudo da classe mais baixa do Japão, de fazer frente a Invernos mais rigorosos. A ideia passava por coser – sobrepor tecidos – para ficarem mais confortáveis mas também mais resistentes ao frio”.

Hoje, estas duas técnicas têm outros propósitos, ganhando uma outra importância à medida que a humanidade se afasta dos sacos de plástico e a crise obriga a engendrar novas soluções para reutilizar objectos e roupas.

“Não sei se está relacionado com a crise, talvez esteja mais relacionado com modas, mas é verdade que esta área das coisas feitas à mão está muito mais procurada”, concluiu Mónica Campanhã, aluna de um dos workshops ministrados por Susana Domingues.

Veja o episódio 250 do Economia Verde.

Foto:  goblinbox_(queen_of_ad_hoc_bento) / Creative Commons

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