Golfinho cativo mais velho do mundo morre depois de 61 anos num tanque

Nellie, o golfinho cobaia

Nellie, o golfinho mais velho do mundo em cativeiro, morreu com 61 anos num parque aquático da Florida, a poucos quilómetros do mar aberto que nunca conseguiu experienciar.

Quando Nellie nasceu num dos pequenos tanques de água salgada do parque, a 27 de Fevereiro de 1953, manter golfinhos em cativeiro para fins recreativos ainda era uma novidade. Foi poucos anos antes que os funcionários deste aquário começaram a desenvolver técnicas de treino de golfinhos, ensinando aos animais técnicas acrobáticas e outros comportamentos únicos.

Estas exibições de animais não se assemelhavam a nada que o público já tivesse visto, revelando a notável inteligência dos golfinhos. Foram poucos os que questionaram o confinamento dos animais. Os visitantes afluíam em número cada vez maior para ver as elaboradas acrobacias dos animais, inclindo Nellie, e em poucos anos o parque tornou-se numa das principais atracções turísticas dos Estados Unidos.

A mudança “bem-sucedida” de um oceanário “educacional” para um parque aquático deu aso, em breve, a muitas imitações, que encheram os seus tanques com animais. Nos meados dos anos 1960, no meio da loucura pelos golfinhos, Nellie tornou-se uma estrela e um ícone, aparecendo várias vezes na televisão – impulsionando o interesse de milhões pela espécie e o seu habitat.

Contudo, no seu confinamento, Nellie beneficiou pouco da consciencialização que ajudou a criar. Em vez disso, o seu valor como artista apenas assegurou que outros da sua espécie fossem retirados dos oceanos e mantidos em cativeiro, refere o Dodo.

Ao longo das décadas que se seguiram, Nellie continuou nos pequenos tanques do aquário, fazendo truques para as novas gerações de entusiastas das acrobacias dos golfinhos. Na década de 1980, as infra-estruturas do aquaparque de Nellie começaram a deteriorar-se e a afluência a diminuir. Na altura, Nellie estava na casa dos 30 anos – excedendo já a esperança média de vida para golfinhos em cativeiro.

O parque, e Nellie, acabaram por ser vendidos e o novo proprietário remodelou o espaço. Contudo, além de terem de actuar para os visitantes, os golfinhos passaram a ter de interagir directamente com os visitantes.

Nos seus últimos anos de vida, Nellie voltou a ter a oportunidade de produzir um impacto positivo na vida dos seus familiares que vivem em liberdade. A sua longevidade foi estudada pelos biólogos marinhos, que puderam aprofundar o conhecimento sobre a espécie e como tratar melhor outros golfinhos que sejam retirados do meio natural.

De acordo com os tratadores de Nellie, a saúde do golfinho começou a deteriorar-se rapidamente, pelo que decidiram eutanizar o animal poucas semanas depois do 61º aniversário.

Através das reacções à morte de Nellie, podemos perceber que este golfinho tocou muitas vidas ao longo destas seis décadas de vida – infelizmente, sem num ter tido a oportunidade de sentir o seu habitat natural.

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