Quénia: igrejas combatem alterações climáticas

Ao mesmo tempo que as alterações climáticas devastam comunidades no Quénia, os líderes religiosos deste país estão a ajudar as populações a lidar com a crise localmente – pedindo urgência às nações industrializadas para assumirem as suas responsabilidades no que toca à emissão de gases com efeito estufa para a atmosfera.

“Acho que [países industrializados] são responsáveis pela maioria das emissões. Têm a responsabilidade de apoiar a adaptação às alterações climáticas e mitigação como uma obrigação moral”, defende Peter Solomon Gichira, responsável pelo programa de alterações climáticas da All Africa Conference of Churches, cita o Huffington Post. “Mas nós também temos um papel a desempenhar porque também não tivemos boas acções para com o ambiente”, acrescenta.

De acordo com os peritos em alterações climáticas, são as populações que habitam no Hemisfério Sul que sofrem as maiores consequências. As secas tornaram-se mais severas e frequentes, sendo seguidas por períodos de intensas chuvas e inundações. As temperaturas estão mais altas e os padrões meteorológicos são cada vez mais difíceis de prever.

Nas conferências, os líderes religiosos e governantes têm ouvido as explicações dos peritos em relação às alterações climáticas. “Precisamos de uma maior capacidade de adaptação que tem de ser desenvolvida com as outras nações”, afirma Patrick Maina, um padre conservacionista da Igreja Presbiteriana do Leste de África. Este padre dirige um massivo projecto de plantação de árvores nos terrenos da igreja e quintas de fiéis, na região do Grande Vale do Rift, bem como fala às populações sobre os efeitos das alterações climáticas e os pequenos gestos que podem ser feitos localmente para travar o problema.

No leste do Quénia, as comunidades estão a construir estruturas conhecidas como barragens de areia com o apoio do Comité Central de Mennonite. Na região cristã de Utooni, os habitantes estão a construir paredes de cimento ao longo do leito de um rio seco, que permite travar ou acelerar o rápido escoamento das águas pluviais para o Oceano Índico, com a ajuda da Organização de Desenvolvimento de Utooni.

Estas estruturas simples – foram construídas 231 desde 2009 – armazenam água no subsolo do leito do rio, que pode ser utilizada para irrigação, plantação de árvores e consumo doméstico ao longo do ano. Com cerca de 50 barragens de areia, que são construídas anualmente, a região é mais fresca e habitável.

No sopé do Monte Quénia, a Trade Craft East Africa, uma ONG e os Serviços Comunitários Cristão do Leste do Monte Quénia estão a ajudar os pequenos agricultores a adaptarem-se às alterações climáticas através do uso de técnicas modernas e tradicionais de previsão meteorológica. Os agricultores aprendem a prever o tempo recorrendo a práticas indígenas, como a observação do voo das libélulas, o florescimento das acácias ou o mergulho das andorinhas. Mas com os padrões meteorológicos cada vez mais difíceis de prever, os agricultores aliam as previsões científicas para saberem quando devem plantar e o que plantar. “Estes métodos resultam numa boa colheita”, refere Eston Njuti, membro de uma associação britânica cristã, que financiou o projecto juntamente com a Diocese Anglicana de Mbeere. “Os agricultores conseguem assim reduzir as ameaças das alterações climáticas”, indica.

Foto: Sallyrango / Creative Commons

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