A prancha de surf que vem da serra do Caldeirão (com FOTOS)

Surf na Serra do Caldeirão

Em Dezembro de 2013, depois de uma visita de estudo às instalações de uma fábrica de pranchas de surf em São Brás de Alportel, Algarve, os alunos da disciplina de Gestão de Programas e Projectos de Desporto do curso profissional de Técnico de Apoio à Gestão Desportiva perceberam que, ainda que esteja totalmente dependente do mar, o surf não tem uma pegada ecológica adequada, dependendo dos derivados de petróleo para a construção das pranchas.

Sendo São Brás de Alportel uma pequena vila situada na Serra do Caldeirão e conhecida por produzir cortiça de alta qualidade, os alunos tiveram a ideia de diminuir a pegada ecológica da construção de pranchas de surf ao reutilizar um produto autóctone, ainda que já transformado em rolhas de cortiça. Incentivados pelo professor Rui Beijoca, os alunos “abraçaram imediatamente a ideia”.

“A reacção inicial dos estudantes foi fantástica, pois perceberam a importância da execução da ideia para eles e parceiros envolvidos, para o ambiente e [outras] consequências positivas que este projecto possa vir a ter”, explicou ao Green Savers o professor Rui Beijoca.

Os primeiros frutos já são visíveis. No final de Janeiro, o projecto foi galardoado na edição de 2014 do Green Project Awards. “Os prémios tiveram uma importância tremenda nos alunos, na comunidade escolar e concelho”, admite Rui Beijoca. “A mediatização [proporciona] mais portas abertas no sentido de financiar e ajudar na execução de mais projectos efectuados por alunos do ensino profissional”.

Depois da ideia inicial, o projecto recebeu um nome oficial – Surf na Serra do Caldeirão – e procurou parceiros: o agrupamento de escolas José Belchior Viegas, a Câmara Municipal de São Brás de Alportel e a Ferox Surfboards. Segundo Rui Beijoca, o projecto tornou-se financeiramente independente através de algum comércio local, que patrocinou a aquisição de material.

Alunos serão remunerados

O projecto já produziu duas pranchas com diferentes funcionalidades em termos de surf, estando uma em exposição na sede do Agrupamento de Escolas José Belchior Viegas e outra na fábrica da Ferox Surfboards. Duas outras pranchas encontram-se em produção e já foram encomendadas por dois proprietários de restaurantes locais – e surfistas.

“[Ainda não temos] uma linha de montagem oficialmente montada, pois existe um acordo com todos os envolvidos para que, no caso de existirem encomendas de pranchas com estas características, serem os alunos a executá-las sob a supervisão da Ferox e do professor envolvido”, explicou Rui Beijoca. Existe, porém, uma certeza. “Os alunos serão remunerados pelo seu trabalho. Aliás, serão os mais beneficiados, pois existe um acordo entre todos os envolvidos para que assim seja”.

A continuidade do projecto está garantida por outras gerações de alunos. O projecto está a ser desenvolvido por outros estudantes, ainda que sempre pela mesma linha orientadora de reutilização de materiais e de utilização de materiais autóctones.

“Uma prancha de cortiça em estado original – sem nenhum tipo de tratamento – já se encontra em fase conclusão, e uma outra [está a ser] construída com os restos de outras pranchas de surf – está em fase de construção adiantada. Esta última encontra-se a ser executada com a ajuda de alunos com necessidades educativas especiais”, de acordo com Rui Beijoca.

“Ainda este ano pretendemos construir duas ou mais pranchas utilizando uma planta autóctone – agave, e que já tem alguns passos dados nessa direcção”, conclui o responsável.

Este artigo faz parte de um vasto trabalho sobre os vencedores do Green Project Awards 2014. Todos os vencedores da iniciativa portuguesa podem ser consultados neste link.

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