CleanBiomass: uma ferramenta para limpar as florestas de forma mais sustentável (com FOTOS)

Uma ferramenta selectiva para limpar florestas

Fotos: CleanBiomass

Os infestantes naturais, como o tojo, a silva, a acácia ou a giesta, são uma praga para a floresta e, em época de incêndios, são o rastilho ideal para as chamas. Porém, estes arbustos também podem ser uma fonte de energia renovável. Um dia, após grandes incêndios ocorridos na região de Mangualde, o pai de António Ramos – engenheiro mecânico – perguntou-lhe se não “conseguia desenvolver algo para a arrancar as infestantes”, que surgem em terrenos sinuosos, com muita pedra e obstáculos.

Depois de analisar a possibilidade e de recorrer à ajuda da mulher – Elizabete Constante, também engenheira -, António Ramos criou, em 2009, a CleanBiomass, uma ferramenta de limpeza florestal que permite um processo selectivo de limpeza de arbustos através do arranque.

“O projecto surgiu com a ideia de criar um ambiente de limpeza da floresta que permitisse gerar recursos para suportar um serviço, diminuir o risco de incêndio, aumentar a produção florestal, criar emprego e gerar energia renovável com a biomassa para custear parte do serviço”, explica António Ramos ao Green Savers.

Em 2011, ainda em fase protótipo, o CleanBiomass foi vencedor do Prémio Inovação EDP 2020 Richard Branson Visão, o que permitiu patentear a ferramenta e o seu desenho e criar oficialmente a empresa, já em 2012.

A ferramenta de limpeza da CleanBiomass consiste numa máquina, semelhante a uma escavadora, que tem a particularidade de conseguir arrancar os arbustos infestantes pela raiz, nomeadamente os que se encontram em zonas pouco acessíveis. Uma vez que o processo de limpeza é selectivo, o operador da máquina selecciona o arbusto que quer remover do solo. Assim, é possível manter árvores autóctones e outras plantas benéficas que existam no meio dos arbustos.

Biomassa que pode ser transformada em energia renovável

Depois da limpeza de um terreno com a ferramenta CleanBiomass, a quantidade de biomassa recolhida pode ser considerável e há que lhe dar um destino. “O destino da biomassa resultante depende da aplicação que o proprietário quer dar aos resíduos resultantes”, indica o mentor do projecto. Uma das hipóteses é utilizar a biomassa em processos de fertilização de solos em substituição de produtos químicos. Outra é a queima directa para a produção de calor e geração de energia renovável. Porém, “o destino mais comum são as centrais de queima de biomassa ou centrais de cogeração para utilização do calor em processos produtivos de energia”, explica António Ramos.

Desde a criação do protótipo inicial, António Ramos estima que o sistema de limpeza tenha recolhido cerca de 2.000 toneladas de biomassa.

Além de permitir uma limpeza selectiva dos terrenos, a CleanBiomass permite reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2). Mas esta quantificação destas reduções não é fácil. “A análise de CO2 de um processo deste tipo não é simples e directa. Contudo, uma análise energética de todo o processo até à queima na central revela que geramos 52 vezes a energia que consumimos. Em termos de CO2 podemos estimar que a empresa conseguiu evitar cerca de 3.000 toneladas de emissões. Mas se considerarmos que os resíduos extraídos seriam queimados nos incêndios, podemos estar a falar no dobro desse valor”, explana António Ramos.

Apesar do curto percurso, o projecto foi já distinguido várias vezes com prémios como Prémio Inovação EDP 2020 Richard Branson Visão 2011 (1º lugar); Prémio Nacional de Inovação Ambiental 2012 (2º lugar); Prémio Inovação Crédito Agrícola 2014 (1º lugar inovação empresarial) e, por último uma menção honrosa no Green Project Awards 2014, na categoria Agricultura, Mar e Turismo.

Para 2015, os objectivos da CleanBiomass passam pela “comercialização de algumas ferramentas para possíveis prestadores de serviços nacionais e duplicar a quantidade de biomassa extraída por este processo nos próximos dois anos”.

Este artigo faz parte de um vasto trabalho sobre os vencedores do Green Project Awards 2014. Todos os vencedores da iniciativa portuguesa podem ser consultados neste link.

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1 comment

  1. LDiogo

    ver a máquina a trabalhar que é bom, nada………..belo jornalismo

    -2

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