Paquistão: mais de 500 pais detidos por proibirem filhos de serem vacinados contra pólio

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A polícia paquistanesa prendeu mais de 500 cidadãos da cidade de Peshawar por não permitirem que os seus filhos fossem vacinados contra a poliomielite – ou pólio. De acordo com o comissário-adjunto da polícia local, Riaz Khan Mehsud, as 513 pessoas presas na segunda e terça-feira poderão ser libertadas se assinarem uma declaração a permitir a vacina aos seus filhos.

A taxa de vacinação no Paquistão é invulgarmente baixa, por várias razões: ataques a funcionários médicos, falta de pessoas devido a operações militares correntes ou desconfiança das famílias. Segundo a Global Polio Eradication Initiative, uma parceria público-privada que inclui a World Health Organization e a Unicef, o Paquistão lidera a lista de novos casos de pólio nos últimos anos, globalmente – nove dos dez casos reportados este ano são de crianças paquistanesas.

Em 2014, o Paquistão teve 327 casos de pólio – o segundo país da lista, Nigéria, teve “apenas” 36. Só na província de Khyber Pakhtunlhwa foram disponibilizadas 2,7 milhões de vacinas de pólio, mas há já 13.000 casos confirmados de pais que não permitem que os seus filhos tomem a vacina. “Primeiro foram os médicos que os tentaram convencer, depois os supervisores, depois membros mais antigos da comunidade. [Esta acção governamental] é a última tentativa para erradicar ao assunto”, explicou à CNN Bilal Ahmad, líder da equipa da Unicef no terreno.

Desde Dezembro de 2012, mais de 70 médicos foram mortos em ataques ligados à administração da vacina.

A poliomielite é uma doença viral a altamente contagiosa que afecta sobretudo as crianças mais novas, levando á paralisia e morte. Os vírus é facilmente evitável através da imunização, mas não há cura a partir do momento em que é contraído.

Foto: RIBI Image Library / Creative Commons

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