Investigador português quer levar eficiência energética para a baixa de Coimbra

Um projecto do investigador português Nelson Silva Brito ligado à eficiência energética na Baixa de Coimbra venceu o Prémio de Inovação Vinci, um concurso internacional na área das alterações climáticas dirigido a estudantes.

Segundo explicou o estudante à Lusa, o projecto consiste na aplicação de um sistema de eficiência energética, através da produção de energia por painéis solares, a aplicar na Baixa de Coimbra, permitindo um combate da pobreza energética que se regista nos centros históricos europeus, através do uso de energia limpa.

O projecto foi desenvolvido no âmbito do programa Energia para a Sustentabilidade da Universidade de Coimbra. “Em vez de se aplicarem dois painéis solares térmicos por cada família, o que, na área estudada [zona da Encosta da Sofia – Baixa da cidade], corresponderia a cerca de 100 painéis para 47 edifícios com uma centena de habitantes”, explica o investigador, que propõe que a instalação de 50 a 70 painéis solares num edifício público consegue produzir energia suficiente para todos os fogos habitacionais.

A água quente produzida com recurso a painéis solares seria transportada “através de tubagens isoladas a cada uma das habitações da área piloto”, permitindo “um aumento da eficiência do conjunto, redução dos custos de instalação e manutenção, para além da contenção localizada dos riscos e aspectos estéticos na paisagem do centro histórico”.

Para além do sistema de abastecimento de água quente, para banho e aquecimento, “a colocação de isolamento nas envolventes horizontais dos edifícios e a manutenção de portas e janelas, a realizar por uma empresa de serviços energéticos, permitiria ainda reduzir perdas e aumentar o conforto dos utilizadores”, acrescentou o investigador à Lusa.

“[Este projecto] tem uma grande aplicabilidade em Portugal e poderia democratizar a possibilidade de sermos mais verdes”, explicou Nelson Silva Brito em email enviado ao Green Savers. “Hoje, só quem tem dinheiro para investir pode tomar parte no esforço global. Mas com a solução que propomos basta despoletar o processo e todos ficam a ganhar”, concluiu.

Assim, o investigador diz que “através de uma tarifa fixa de cerca de €10 por mês e por pessoa, o que seria sempre inferior aos custos actuais destes serviços combinados, o projecto prevê um sistema rentável para quem o explorasse, interessante para arrendatários, proprietários, municípios e de mais instituições”.

Esta proposta ganha ainda mais relevância devido aos problemas presentes nas intervenções individuais, como a falta de capacidade económica por parte dos proprietários ou a ausência de escala para a negociação de preços de “investimento e manutenção aceitáveis”, apontou.

O projecto foi premiado em Setembro nos Prémios de Inovação VINCI, na área de “Serviços urbanos e cidade conectada”. Agora, Nélson Brito quer implementar o conceito em Coimbra, contando já com o interesse da Direcção Regional da Cultura do Centro e da Associação para a Promoção da Baixa de Coimbra. Depois, este projecto poderia ser aplicado a qualquer zona residencial de centros históricos europeus. De acordo com o investigador, esta proposta poderia também levar ao “aumento da atractividade dessas áreas, ao empoderamento das colectividades e à valorização dos edifícios”.

Foto: Bobo Boom / Creative Commons

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