Pedro Rocha: “AMAP, um novo modelo que comprova que existem alternativas”

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“DIA NOVE DE SETEMBRO, EM BERLIM, DECORREU O ENCONTRO EUROPEU DAS AMAP (Associação para a Manutenção da Agricultura de Proximidade), organizado pela Urgenci.

Nos mesmos dias decorria o Congresso Solikon, sobre economia solidária. Apareceram quase mil pessoas de todos os cantos da europa, falou-se de economia solidária, de novos modelos socio-económicos, de democracia participativa, de soberania alimentar, software livre. Apresentaram-se caso práticos de sucesso, casos iguais aos que dizem ser utópicos num mundo moderno, e quem lá esteve sabe que a alternativa existe, está em marcha e é viável.

Mas falta ganhar mais visibilidade, continuar a crescer, ser pragmático e ao mesmo tempo ser cuidadoso, para que o crescimento não traga a subversão dos modelos apresentados. Dentro do encontro europeu chegou-se à conclusão que não nos podemos esconder mais. Somos um milhão e meio de pessoas em todo o mundo e em rápido crescimento. Por isso trabalhou-se na primeira declaração europeia.

Agora, essa mesma declaração é apresentada e discutida em Portugal, naquele que será o primeiro encontro nacional das AMAP. Este é um movimento ainda pouco conhecido do público, mas alguns novos produtores, assim como redes, organizações e colectivos demonstram grande interesse no seu desenvolvimento.

Com este encontro lançamos o desafio para a criação de uma dinâmica de âmbito nacional com o objectivo de promover, desenvolver e implementar o modelo das AMAP em Portugal.

AMAP é apenas um dos modelos socio-económicos que responde à necessidade de atingir a soberania alimentar, sendo porventura a solução que o tem feito de forma mais eficiente e genuína. Ou seja, passando para as pessoas o poder de participar ativamente nos processos de produção, distribuição e comercialização, dos seus alimentos. Um modelo socio-económico que na sua definição, como é proposto na declaração europeia de Berlim, fala em escala humana, parceria directa, partilha e relação de longo prazo.

 

‘A Associação para a Manutenção da Agricultura de Proximidade (AMAP) é uma parceria directa, baseada na relação humana entre o grupo de consumidores e um ou mais produtores, onde os riscos, responsabilidades e recompensas da produção agrícola são partilhados através do estabelecimento de uma ligação de longa duração’

Depois de Berlim, cabe agora à Associação Moving Cause organizar o primeiro encontro Nacional das AMAP. Apresentaremos e discutiremos a declaração europeia, falaremos do modelo AMAP, da metodologia de criação de grupos de consumidores e lançaremos a base para a criação da rede nacional. Este é o propósito do encontro, porque cá, em Portugal,  as alternativas também são possíveis, haja vontade, haja gente.  Certamente existe.”

Pedro Rocha é leitor do Green Savers, nasceu em Espinho em 1976 e cresceu entre as praias da Aguda e os campos de Arcozelo. Em 2000 concluiu o Curso de Ciências do Ambiente e Poluição na Universidade de South Wales, no Reino Unido e, no mesmo ano, iniciou a actividade profissional na consultora alemã Hydroplan GmbH, sendo consultor no projecto de desenvolvimento rural em Cabo Verde. Em 2005 começou o projecto de agricultura biológica Raízes, na produção e distribuição de produtos biológicos, do qual ainda é sócio. Desde 2014 que se dedica à prestação serviços como agricultor urbano e consultor, promovendo novos conceitos de relação entre consumidores e produtor.

FotoStateofIsrael / Creative Commons

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