Por que é que ficamos sempre doentes durante as férias?

Pense neste cenário: está a poucos dias de gozar um merecido período de férias e todo o corpo sente a adrenalina de completar as últimas tarefas laborais antes do descanso esperado.

No entanto, a partir do momento em que começa a relaxar, acorda com a garganta dorida ou é obrigado a partilhar as férias com anti-histamínicos e uma caixa de lenços. Isto acontece tão frequentemente que alguns psicólogos até já têm uma expressão para esta situação: doença do lazer.

Segundo uma das pesquisas mais recentes sobre o tema, durante o período de grande trabalho que tende a acontecer antes das férias o nosso sistema imunitário entra num estado de fadiga. Uma vez a caminho do nosso destino de férias, ele tende a baixar a guarda – e uma garganta dorida ou nariz entupido acabam por estragar o momento.

O psicólogo holandês que inventou a expressão “doença do lazer” documentou-a num estudo de 2002 que explica que 3% de um total de 1.900 pessoas questionadas admitiu ficar doente no início das férias. No entanto, não existem estudos médicos que o comprovem, segundo o Quartz.

Assim, uma das principais razões pelas quais por vezes no sentimos doente durante as férias tem a ver com o próprio acto de viajar. “Quer seja o influenza, uma constipação comum ou outros vírus, parece-me claro que o transporte em essa contribuiu para essa transmissão”, explica William Schaffner, professor de medicina preventiva da Vanderbilt University Medical Center.

É que as defesas do nosso sistema imunitário não nos ajudam muito, por exemplo, num aeroporto, onde vírus de todos os pontos do Planeta se unem – e é aqui que nos acercamos a viajantes que passam os germes de todas as partes do mundo.

Nos aviões, quem se sentar a dois lugar de distância – para a frente, trás ou lado – de um passageiro doente tem muitas hipóteses de apanhar o vírus. E a pouca humidade do avião também promove a sua transmissão.

Há ainda o tempo que passamos em filas para entrarmos no avião ou para sermos revistados por questões de segurança. Todas estas situações são propícias à transmissão de germes.

Segundo Sheldon Cohen, psicólogo na Carnegie Mellon University, há ainda outro argumento: “É possível que as pessoas se lembrem mais facilmente das doenças que tiveram durante as férias que aquelas que ocorrerem durante dias trabalho”, explicou.

Qualquer que seja o motivo, garantiu Schaffner ao Quartz, o melhor que temos a fazer pelo nosso sistema imunitário é tomar a vacina da gripe todos os anos.

Foto: Mishio / Creative Commons

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