Simulador inventado por investigador português pode minimizar danos da tragédia do Rio Doce

A tragédia do rio Doce

A enorme onda de lama descarregada no Rio Doce, no estado brasileiro de Minas Gerais, devido à ruptura de uma barragem de resíduos de um complexo mineiro, já atingiu o Oceano Atlântico. Para ajudar as autoridades no esforço de limpeza e contenção da corrente de lama, Martinho Marta Almeida, investigador do Departamento de Física (DFis) da Universidade de Aveiro, criou uma simulação numérica da dispersão dos resíduos no oceano.

As previsões do simulador desenvolvido por Martinho Almeida mostram uma larga região costeira afectada. Situada entre a foz do Rio Doce e a cidade de Vitória, a capital do estado de Espírito Santo, e ao longo de 100 quilómetros, toda essa linha costeira é um alvo da maré de lama que continuará a deslocar-se bem mais para sul a poucos quilómetros da costa. “Estas previsões são feitas desconhecendo a variação temporal da descarga do rio e da concentração de poluentes na pluma [interacção de massas de água do rio de diferentes densidades com o oceano] cujos valores são assumidos como unitários e invariáveis no tempo a partir das 00h00 de 23 de Novembro”, explica Martinho Almeida.

O investigador Martinho Almeida1

Martinho Almeida, investigador da Universidade de Aveiro.

“Havendo uma probabilidade elevada de uma longa região costeira estar em contacto com um elevado rácio de água proveniente do rio, estas regiões estão e estarão em contacto com tudo o que de perigoso se encontrava nas barragens na altura do acidente, não só lamas cujo impacto em termos temporais pode ser curto, mas químicos nocivos cuja diluição e efeitos no ambiente poderá durar décadas”, alerta.

A simulação foi feita com uma configuração realista utilizando dados de modelos globais assimilados. “Os dados do forçamento foram extraídos do modelo global oceânico HYCOM e da reanálise atmosférica CFSR para o hindcast e do modelo de previsão global GFS”, explica o investigador do DFis. O modelo foi ainda forçado com marés (superfície livre e correntes barotrópicas) e com descarga do Rio Doce. “Devido à inexistência de dados reais de descarga do rio, utilizei descarga climatológica mensal. Note-se que o desconhecimento do caudal real pode ser uma fonte de erros importante”, alerta.

Segundo o jornal Estado de Minas Gerais, a reparação dos estragos no rio Doce – a Fukushima brasileira, como lhe chamam os media ingleses – pode demorar uma década.

Fotos: Bento Rodrigues, Mariana, Minas Gerais / NASA / Wikimedia Commons

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