Biólogos israelitas desenvolvem betão verde para infra-estruturas marítimas

O betão verde made in Israel

Dois biólogos marinhos israelitas desenvolveram um betão “inovador e amigo do ambiente” para infra-estruturas marítimas, segundo explica a edição de hoje do jornal Construir. Impulsionados pelo forte investimento que Israel faz nas start-ups, os dois empreendedores receberam €915.000 para desenvolver a sua ideia e expandir a sua empresa, ECOncrete para o mercado de infra-estruturas costeiras dos Estados Unidos. Ao longo do último ano, a empresa testou a sua tecnologia em Israel e em Nova Iorque e espera agora lançar operações de “grande escala” em 2017.

Sediada em Telavive, a empresa concebeu um betão “único”, com níveis alcalinos mais baixos, baseados em várias misturas químicas, que “imitam a textura e composição da rocha e do coral mas não têm impacto da força do betão”.

“Investimos também em modificar a textura do betão, de forma a que [este] contribua para a vida marinha”, explica Shimrit Perkol-Finkel, directora-geral e fundadora da ECOncrete. A empresa estima que a mistura acrescenta entre 2% e 7% ao custo do betão em projectos de infra-estruturas marítimas – portos, marinas, cais, entre outros – mas poupa na manutenção futura.

A ECOncrete teve já oportunidade de testar as suas ideias num projecto desenvolvido no porto de Haifa, também em Israel, que recorreu às suas unidades de armadura numa secção de um paredão. Em Nova Iorque, revestimentos feitos com o betão da empresa foram utilizados em  cais decrépitos de madeira como alternativa às abordagens tradicionais, que recorrem ao revestimento de estacas com betão suave ou fibra de vidro – uma prática que, segundo os biólogos, introduz espécies invasoras e degrada a vida marinha que poderia reforçar as estacas.

“Tanto em Haifa, como em Nova Iorque, descobrimos que a variedade da flora e fauna marinhas que vivem perto das unidades aumentou e, com o tempo, a vida marinha acrescenta uma camada biológica que reforça ainda mais o betão e previne o seu enfraquecimento”, explica Perkol-Finkel.

A empresa pretende agora licenciar a sua tecnologia em vários mercados globais, focando-se inicialmente nos Estados Unidos, onde visa abrir um escritório e participar em grandes projectos de infra-estruturas marítimas, que estão agora em fase de planeamento.

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