Nova localização do festival Marés Vivas “invade” reserva natural do Estuário do Douro

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A nova localização do festival Marés Vivas, que decorre de 14 a 16 de Julho, foi vetada pela organização não-ambiental de ambiente (ONGA) Quercus, que refere que o local, junto à reserva natural local do Estuário do Douro, é actualmente o sítio de maior importância para a biodiversidade na região do Grande Porto e alberga mais de uma centena de espécies de aves, grande parte delas protegidas e raridades.

A Reserva Natural Local do Estuário do Douro situa-se na margem sul do rio Douro, junto à sua foz. Inicia-se na zona da Afurada e termina na zona arenosa do Cabedelo.

“O local onde o festival Marés Vivas se realizou desde 2008 até 2015, além de distar cerca de 1.000 metros da área mais importante da Reserva Natural, continha um morro fortemente arborizado da Quinta Marques Gomes, que reduzia e moderava a propagação do ruído, pelo que o evento tinha um impacto limitado sobre as aves da Reserva”, argumenta a Quercus.

O lugar proposto para a edição de 2016, garante a associação, é adjacente à Reserva Natural, sendo que o movimento de pessoas e viaturas vai, fatalmente, perturbar as espécies existentes na Reserva Natural, em plena época de nidificação das aves.

“O ruído, especialmente à noite, aterroriza as aves que voam descontroladamente e vão posteriormente ferir-se ou morrer. Prova disso foi o lançamento do maior foguete do mundo do Porto para o Estuário do Douro. Este evento, que foi denunciado pela Quercus em 2010, resultou em inúmeras mortes de aves do estuário”, continua a associação.

Outro dos problemas tem em conta os impactos das obras necessárias de terraplanagens nos ecossistemas locais. Há ainda legislação que, segundo a Quercus, vai contra a realização do Marés Vivas naquele local, uma vez que a área Reserva Natural contém tanto habitats como espécies de aves prioritários – todas elencadas no Guia da Reserva Natural, editado com apoio do QREN, em 2012 –, a realização do evento neste local “contraria o disposto na lei portuguesa”.

“[Esperamos] que o assunto possa ser resolvido fora dos tribunais”, conclui a Quercus.

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