Por que razão o nevoeiro vai continuar a adiar jogos na Choupana?

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Construído em 2000 para receber jogos do Nacional da Madeira, que anteriormente dividia o Estádio dos Barreiros, no Funchal, com Marítimo e União, o Estádio da Madeira – também conhecido como Estádio da Choupana ou, simplesmente, Choupana – situa-se a 632 metros de altitude e tem um microclima imprevisível: ventos fortes, nevoeiro, calor sufocante ou aguaceiros intermináveis, tudo pode acontecer naquele ponto da Ilha da Madeira.

Por isso, os constantes adiamentos dos jogos do Nacional – o jogo de ontem, contra o Benfica, foi o terceiro adiado naquele estádio desde Outubro – vão continuar a acontecer. Essa é também a opinião de Raimundo Quintal, presidente da associação Amigos do Parque Ecológico do Funchal e uma das vozes mais importantes da ecologia da Ilha da Madeira.

“É importante referir que a Madeira tem um clima extraordinário, um dos melhores climas para actividades desportivas ao ar livro todo o ano. Mas a Madeira é uma ilha montanhosa, com uma cordilheira central de orientação este-oeste que determina a existência de topoclimas com formação de nevoeiros frequentes entre os 500 e 1000 metros de altitude”, explicou Raimundo Quintal em email enviado ao Green Savers.

De acordo com o responsável, o estádio do Nacional – Choupana – foi implantado “por erro crasso de planeamento” na faixa altitudinal com maior probabilidade de ocorrência de nevoeiros”.

“Antes da construção do estádio, cansei-me de alertar para este problema, mas como sou adepto do Marítimo, chamaram-me fundamentalista. O problema da Choupana é insolúvel”, garante.

Para o responsável, os constantes adiamentos dos jogos naquele estádio prejudicam a imagem da ilha, que vive muito do turismo ligado ao bom tempo todo o ano.

“Este é mais um episódio duma longa novela que difunde uma má imagem da Madeira. Assim como é errado confundir a árvore com a floresta, é abusivo generalizar para toda a ilha o microclima da Choupana. Mas, infelizmente, da má imagem a madeira não se livra”, concluiu.

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