País não está preparado para combate a fogos florestais

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O sistema de combate a fogos, tal como existe no país, “não está capacitado” para combater “com eficácia grandes incêndios florestais”. Esta a opinião do especialista Paulo Fernandes, docente da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

De acordo com Paulo Fernandes, o combate aos fogos só está verdadeiramente habilitado para “defender casas e pessoas”. Baseado em grande medida no voluntariado e nas corporações locais de bombeiros, o sistema, na opinião deste docente da UTAD, não recorre a técnicas e análises de comportamento do fogo, essenciais para circunscrever com eficácia as áreas ardidas.

Também investigador do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB) da UTAD, Paulo Fernandes refere que o dispositivo de combate a incêndios respondeu este ano “como sempre”, ou seja, “orientado para a protecção de casas e pessoas”.

Sendo especialista em fogos florestais, o investigador apurou que na Europa só Portugal e Grécia nunca conseguiram reduzir a área ardida e pergunta-se por que motivo políticos e decisores não se questionam questionar-se sobre esta realidade: “Espanha, Itália e França reduziram a área ardida por volta dos anos 90”, porque “houve algo que mudou no combate”, salienta. “Portugal nunca fez essa evolução. Houve uma tentativa de injetar conhecimento técnico. Não existe já esse conhecimento da análise do comportamento do fogo que era essencial para identificar oportunidades e impedir que os incêndios sejam tão grandes e durem tanto tempo”, frisou em declarações à agência de notícias Lusa.

O docente da UTAD defende a criação de bombeiros florestais, “que integrariam, tal como em Espanha, as brigadas de combate de incêndios, que são sempre dirigidas por um engenheiro florestal”.

A ausência desta estrutura de comando segundo o especialista dificulta a atuação dos meios aéreos, que dependem “basicamente das estratégias e conhecimento” de quem está no combate, pois “os meios aéreos não apagam incêndios sozinhos, é sempre preciso o apoio terrestre. Os meios aéreos apenas arrefecem o incêndio para que quem está no terreno conclua o trabalho”, concluiu.

Foto: bertknot / Creative Commons 

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