em viagem pela Ria Formosa

Imagine-se em plena Ria Formosa: o azul transparente da água a reflectir os raios de sol, as gaivotas pousadas em terra protegida, um paraíso… Até que o barco que o leva até à outra margem começa a trabalhar e todo o silêncio que torna o cenário ainda mais idílico desaparece em segundos, abafado pelo som ruidoso do motor. Pois, nada disso teria acontecido se tivesse embarcado no barco mais sustentável do país.

Equipado com dois motores eléctricos e seis painéis solares, o Sun Sailer navega pelas águas calmas da Ria Formosa de forma totalmente eficiente, uma vez que “toda a energia que está a captar do Sol está a consumir”, explica ao Green Savers Manuel Brito, sócio e responsável pelo desenvolvimento e produção da Sun Concept.

Com um casco de deslocamento revolucionário feito a partir de fibra de vidro, o Sun Sailer é pensado para águas serenas que não exigem grandes velocidades, onde a calmaria do tempo é a medida certa. E é a velocidade com que se quer levar a viagem que influencia a autonomia da bateria do Sun Sailer. Mais velocidade equivale a maior gasto de energia, logo menos autonomia. Sem pressas, recebendo de braços abertos a tranquilidade da Ria Formosa, o Sun Sailer navega calmamente durante seis a oito horas num dia nublado. E num dia de sol radioso? A autonomia é ilimitada – basta um pequeno raio solar para se estar em movimento.

E é aqui que se encontra uma das grandes vantagens deste barco: os seus níveis de consumo. Basta fazer uma simples conta para entender o impacto positivo que este barco pode ter na economia familiar ou empresarial. Uma actividade marítima turística a navegar 500 a 600 horas por ano, com um motor tradicional de 50 cavalos, gasta entre 15 mil a 20 mil euros em combustível. E com um barco electro-solar? “Nada, zero! Anda, anda, e quanto mais anda, menos gasta”, esclarece Manuel Brito.

Mas como pode um barco a navegar em área protegida, de biodiversidade abundante e ecossistemas de importância extrema, ser sustentável? “Em termos ambientais o melhor número que temos para dar é zero. Zero emissões de gases de efeito estufa. Não há número melhor”, diz Nuno Oliveira, director de sustentabilidade da Sun Concept. A poluição sonora também diminuiu drasticamente, com redução de 95% nos níveis de ruído, num silêncio quase total em que se ouve mais o vento e a ondulação, em que se ouve o barulho da natureza. Peixes, cavalos marinhos, caranguejos e demais espécies deixam de ser perturbadas com o rodopiar das hélices, já que o barco solar está equipado com hélices de baixa potência, diminuindo assim o impacto na fauna marinha. “O solar-boat foi optimizado para ter um custo acessível, sem emissões associadas, com muito menos poluição do ar, água e sonora”, conclui Nuno Oliveira.

Tudo argumentos sedutores para uma aposta dos agentes turístico da zona, com um custo de oportunidade associado. No Verão, se um turista for sozinho à Ria Formosa para fazer um passeio, a maior parte dos operadores de barcos recusará fazer a viagem, por não ser comercialmente apelativo. “Com o Sun Sailer, pode ir sozinha passear. Ele sairá sempre”, assegura Nuno Oliveira. Ou seja, é dada uma ferramenta preciosa aos operadores turísticos para rentabilizar os recursos ao longo do ano. “Estamos a dar não só a poupança em combustível, como a aumentar em muito os dias possíveis de saída à água”, conclui.

Nascido com inspiração na Ria Formosa, este barco solar quer ir muito além desta região. Mas preserva as origens olhanenses bem marcadas, desejando manter a produção na terra que viu nascer o projecto. Em época de crise, esta empresa de Olhão resolveu remar contra a maré numa atitude proactiva: “Substituímos o ‘porquê?’ pelo ‘porque não?’”.

A empresa emprega neste momento dez pessoas, das tarefas mais simples às mais especializadas, numa estrutura social e empresarial para manter. “Encontrar soluções para a parte ambiental era fácil. A parte económica e social era a mais desafiante”. E a verdade é que a Sun Concept tem conseguido responder com sustentabilidade nas várias vertentes.

No futuro há já planos para trazer o Sun Concept para Lisboa, numa compreensível aposta comercial, mas acima de tudo para desmistificar os barcos solares. Levar as pessoas a entrar, a perceber como funciona, a experimentar, para no fim perceberem que o barco anda sem barulho, sem poluição, apenas com a energia do sol. Eis um exemplo de que é possível criar soluções de futuro, viáveis e sustentáveis.

Fotos: Sun Concept 

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