Victor: uma cidade entre civilizações

No final do século XIX, depois de 19 tentativas infrutíferas, um prospector encontrou finalmente ouro a 3.000 metros de altitude, nas montanhas do Colorado. A notícia espalhou-se rapidamente e, poucos meses depois, a cidade de Victor foi inaugurada e para lá transferidos cerca de 18.000 mineiros e as suas famílias.

A história é idêntica a tantas outras que abordam cidades construídas à pressa na corrida do ouro norte-americana – e que são hoje locais fantasma e abandonados. Em parte, foi isso que aconteceu a Victor: o ouro acabou e, com ele, também os mineiros saíram da cidade.

No entanto, alguns cidadãos resistiram e hoje Victor tem 450 habitantes, o que lhe dá um estatuto peculiar: não é uma cidade-fantasma mas, tão pouco, uma típica cidade contemporânea. E os seus edifícios são a prova desta miscelânea urbana.

Em 1999, os fotógrafos Jonathan Anderson e Edwin Low descobriram a cidade e rapidamente decidiram torná-la tema de projecto. “Parecia que os seus habitantes tinham sido raptados por extraterrestres”, afirmou a dupla à Slate.

Segundo os fotógrafos, ainda é possível encontrar mesas postas nas casas abandonadas e um cemitério com os nomes quase ilegíveis, mas a cidade “recusou, simplesmente, morrer”. “Quando lá estamos, o mundo parece estar sintonizado numa frequência diferente”, continuam.

Os fotógrafos descobriram ainda que há cada vez mais pessoas a chegar à cidade. Para lá viver. Alguns dos edifícios do início do século XX ainda lá continuam, outros já foram destruídos pela natureza. E embora todos os habitantes de Victor sejam “simpáticos”, eles não fazem parte da produção fotográfica.

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