Uma expedição organizada pela ONG francesa Montagne et Partage passou 38 dias no Evereste a recolher mais de cinco toneladas de lixo, entre garrafas de gás, cordas, tendas, enlatados e todo o género de plásticos.

Com a expedição, que decorreu no lado nepalês da montanha mais alta do mundo, esta associação humanitária pretende chamar a atenção para a total ausência de gestão de resíduos nas grandes montanhas do Nepal e mais amplamente em todo o país, onde, apesar de uma população de quase 30 milhões de pessoas, não existe qualquer estação de tratamento de lixo.

“Foram recolhidas 5,2 toneladas de lixo”, disse à AFP Gérard Clermidy, presidente da ONG, lamentando o facto do Evereste já começar a ser conhecido como “a lixeira mais alta do mundo”. “Retirámos cinco toneladas de lixo visível, ainda há muito que não se vê, escondido em fendas”, acrescenta. Dois terços dos resíduos recolhidos estavam no acampamento base, a mais de 5.300 metros de altitude, onde, no auge da temporada de escalada, em Maio, convivem cerca de 2.000 alpinistas e sherpas. “Ficámos surpreendidos por encontrar tanto lixo no acampamento base, onde o Comité de Controlo de Poluição de Sagarmatha (nome do Evereste no Nepal) claramente não cumpre a sua missão”.

Materiais recicláveis, especialmente metal (garrafas de gás, latas, latas, escadas metálicas), foram enviados para Katmandu por helicóptero e camião. Outros resíduos, como cordas, plástico, lona de tendas e papel, foram depositados na aldeia de Namche Bazaar, onde há um incinerador, mas que, segundo a referida associação, “não funciona desde o terramoto de 2015 e os resíduos acabam sendo queimados a céu aberto”.

O resto do lixo foi recolhido em condições difíceis nos campos de intermédios, o último dos quais, a cerca de 8.000 metros de altitude. “Tivemos uma má surpresa no Campo 4, onde as expedições, após a chegada ao cume, abandonam com frequência as tendas e que nelas se encontra”, contou Clermidy. Segundo o responsável pela ONG, tudo está a falhar: os alpinistas que apenas pensam em chegar ao topo do Evereste, as agências que querem reduzir custos ao máximo, os sherpas que exigem dinheiro extra para trazer o lixo e as autoridades que não agem.

Foto: Montagne et Partage

 

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