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Cerca de 40% do consumo de energia na União Europeia é realizado pelo sector de construção. Da mesma forma, mais de um terço das emissões de carbono estão relacionadas com a construção de edifícios e por esse motivo, a UE está a esforçar-se para, através de várias iniciativas legislativas, melhorar consideravelmente o seu desempenho energético.

Devido às necessidades de refrigeração, iluminação, ar condicionado, aquecimento e ventilação, os centros comerciais estão entre os edifícios mais exigentes em energia, consumindo quatro a cinco vezes mais energia por metro quadrado do que os edifícios residenciais. E, à medida que os centros comerciais continuam a crescer, é preciso trabalhar para reverter e reduzir as emissões de CO2 a eles associadas.

Foi o que tentaram fazer os investigadores do CommONEnergy, um projecto financiado pela União Europeia cujas conclusões foram apresentadas recentemente, e que defendem a ideia de que os Centros Comerciais podem desempenhar um papel decisivo na redução das emissões de carbono.

Em primeiro lugar, os investigadores pretendem que as legislações da UE sejam alteradas para garantir que quando os centros comerciais realizam renovações (que acontecem normalmente a cada 10-15 anos), estas sejam feitas recorrendo a tecnologias ecológicas, a nível de arquitectura, iluminação eficiente e carros eléctricos, apoiando a transição energética através de investimentos em energia renovável.

Mas não é tudo, defendendo que centros comerciais actuam hoje como influenciadores importantes junto dos seus inquilinos, os investigadores acreditam que os proprietários destes edifícios comerciais podem forçar marcas internacionais a cumprir estas “regras verdes”. Este grupo de trabalho estabelece, por isso, uma série de recomendações ao programa Clean Energy for All, que está actualmente em revisão na UE. Por exemplo, é sugerido que os Estados-Membros devem exigir que pelo menos um em cada 10 estacionamentos destas grandes superfícies comerciais seja equipado para veículos eléctricos.

Entre as outras recomendações, está a obrigatoriedade de os centros comerciais divulgarem dados ambientais, sociais e de gestão aos investidores e ao público, através de uma plataforma aberta. A ideia é que centros comerciais possam vir a ser considerados players activos no mercado de energia, estabelecendo-se como líderes verdes e ter um “papel de farol” também junto dos consumidores. Segundo Roberto Lollini, líder do CommONEnergy, “os shoppings reflectem a nossa sociedade moderna. São um lugar onde as pessoas se encontram e comunicam. A crescente consciencialização do consumidor é um dos principais alvos do nosso projecto. Vamos produzir um kit de ferramentas, vídeos, organizar um ‘Prémio de Sustentabilidade e desenvolver directrizes sobre como abordar a renovação eficiente de edifícios comerciais. Gostaríamos de criar um efeito dominó”.

Foto: Creative Commons

 

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