A associação ambientalista Zero emitiu hoje um comunicado acusando o Estado Português de não estar a prestar todas as informações obrigatórias à população sobre a qualidade do ar no nosso país. Referindo também que nas últimas semanas se ultrapassaram os níveis de ozono de referência. O ozono é um poluente secundário, que se forma a partir de outros poluentes, como os óxidos de azoto, que são emitidos pelo tráfego rodoviário e pela combustão, incluindo os incêndios que têm assolado a região centro.

A exposição a níveis elevados de ozono, alerta ainda a associação, pode provocar sintomas como tosse, dores de cabeça, dores no peito, falta de ar e irritações nos olhos. Pode também provocar o agravamento de patologias respiratórias já existentes e reduzir a resistência a infecções respiratórias, pelo que o risco é particularmente significativo para crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.

A Zero constatou assim, segundo dados disponibilizados pela própria Agência Portuguesa do Ambiente, que se verificaram elevadas concentrações de ozono em diversas estações de monitorização de qualidade do ar, mas que as mesmas não foram comunicadas à população, ao contrário do que acontecia no passado e do que a lei obriga.

Paralelamente, Portugal continental tem vindo também a ser afectado por elevadas concentrações de partículas suspensas, provenientes na sua maioria do Norte de África, mas agravadas também pelos incêndios, o que tem contribuído para um agravamento muito significativo da qualidade do ar no que respeita às partículas suspensas. Estas partículas “têm efeitos na saúde humana no curto e longo prazo, causando e/ou agravando problemas cardiorespiratórios, ou podendo mesmo contribuir para um agravamento da mortalidade pelos compostos tóxicos que contêm e que se introduzem no organismo pela sua inalação”, refere o comunicado.

Nesse sentido, a Zero defende que deveria existir um sistema que obrigue determinados órgãos de comunicação social a transmitir estes avisos, à semelhança do que acontece noutros países. Antes que isso aconteça, ou que o governo se lembre de emitir atempadamente comunicados sobre a qualidade do ar, pode sempre consultar o site da Agência Portuguesa do Ambiente, que disponibiliza esses mesmos dados.

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