Apesar de ter levado à evacuação de 2000 pessoas e ter deixado cerca de 50 mil temporariamente isoladas, o incêndio acabou por poupar o Parque de Doñana, uma das maiores áreas protegidas da Europa, Reserva da Biosfera Mundial, e casa de uma das duas últimas populações de Lince-Ibérico com condições de se reproduzir. A perca deste habitat seria fatal para a sobrevivência da espécie que, recorde-se, é uma das mais ameaçadas de extinção em todo o mundo.

Apesar do incêndio ainda não estar completamente extinto, está suficientemente controlado para a presidente do Governo regional da Andaluzia,  Susana Díaz, já ter referido em declarações à EFE (agência de noticias espanhola)  que o fogo “apenas penetrou no perímetro de 14 400 hectares”  que o seu governo regional tinha ampliado o ano passado, “e não no parque nacional”.

A governante anunciou também que “nem um metro das áreas afectadas pelo fogo em torno do parque seriam alvo de qualquer requalificação.”

Apesar da afirmação, e para muitos ambientalistas espanhóis como Juan Carlos del Olmo, presidente da  World Wide Fund for Nature (WWF), toda a zona envolvente está já “rodeada de circunstancias ilegais”, e que por isso “todos os anos se brinca com o fogo”. Para ele “a zona é um caos no que se refere ao ordenamento e que a ocupação do espaço cresceu de forma descontrolada” acrescentando também que “os governos, municípios e as administrações que agora se mostram muito chocadas estão há anos a olhar para o outro lado” enquanto estas irregularidades ocorrem. ,  

Da mesma forma, o responsável pela floresta da Greenpeace em Espanha, Miguel Ángel Soto, assegurou  que “falta ordenação do território”. E que, tal como no sucedido em Portugal na semana passada, “A sociedade não se poderá esquecer daqui por uns meses o que aconteceu”. E que o orçamento de Estado deve “contemplar uma resposta para este problema, caso contrário todos os Verões vai ocorrer uma situação similar” disse à mesma agência noticiosa.

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