Um gadget é, por natureza, efémero. Todos sabemos, quando compramos o último grito em tecnologia, que só o será por mais alguns meses. Até ser substituído por outro que faz mais rápido isto, melhor aquilo, ou tem mais pixeis noutro lado. A curva é imparável, mas, por si só, não explica tudo. Não explica, por exemplo, por que razão o ciclo de vida de um telemóvel é tão curto, mesmo para quem não precise da última novidade. Para encontrar essa resposta temos de procurar noutro lado, como fez a Greenpeace, ao descobrir que as marcas dificultam propositadamente a manutenção dos seus produtos, impedem a substituição de peças e criam-nos mais frágeis. Por exemplo, o novo Samsung Galaxy S8 com o seu vidro edge to edge, já foi apelidado de “telemóvel frágil do mundo”.

O estudou analisou produtos das 40 marcas mais populares de telemóveis, laptops e tablets, ao longo de dois anos, e analisou a facilidade com que as companhias permitiam que os seus produtos fossem reparados, por exemplo dando acesso a manuais de reparação ou disponibilizando peças sobresselentes. Não surpreendentemente, Apple e Samsung, líderes no sector, estão entre as marcas com piores resultados. Do outro lado do espectro estavam a Dell, Fairphone e HP.

Se pensarmos que todas estas marcas tecnológicas estão entre as mais ricas do mundo, e contratam os cérebros mais brilhantes, seria de mais pedir que desenhassem produtos que levem em consideração os melhores interesses do planeta?

Foto: Creative Commons

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