prospecções sísmicas

Segundo os dados de um estudo recente, as pesquisas para a perfurações petrolíferas no Atlântico podem dizimar espécies-chave na cadeia alimentar do oceano. É que estas pesquisas são realizadas através de prospecções sísmicas, ou seja, através de um processo de explosão de armas de ar submersas para localizar depósitos de petróleo e gás, que provocam ondas de choque que têm um efeito mortal no zooplâncton, fonte de alimento crítica para inúmeras espécies marinhas.

Ora, segundo o relatório publicado esta semana na revista Nature, estes processos pode representar uma ameaça “significativa e não reconhecida” para os ecossistemas oceânicos, incluindo peixes, baleias e animais marinhos que se alimentam de zooplâncton, disseram os pesquisadores.

Pesquisadores da Australian Curtin University e da Universidade da Tasmânia divulgaram que as explosões de uma única arma de ar sísmica provocaram a morte a uma enorme quantidade de zooplâncton adulto e larval nas 24 horas após a exposição, diminuindo a sua abundância em 50% de mais metade das espécies observadas.

O referido estudo foi divulgado apenas duas semanas depois da agência federal norte-americana, National Marine Fisheries Service, ter emitido licenças que permitem que as empresas realizem pesquisas sísmicas ao longo da Costa Leste – cumprindo uma das promessas da administração Trump de expandir as perfurações de petróleo e gás.

Segundo o artigo publicado no Huffington Post, o mais preocupante é que apesar deste estudo apontar os impactos potencialmente devastadores que as prospecções sísmicas podem ter nas populações expostas de zooplâncton, ela será apenas uma pequena amostra do que realmente poderá acontecer. É que os efeitos das explosões registados neste estudo referiam-se a uma única pistola de ar e em 24 horas, mas as empresas que receberam permissões da agência federal norte-americana poderão usar embarcações que disparam 20 a 40 pistolas de ar simultaneamente e a cada 10 segundos.

Além de dizimar os alimentos de toda a fauna marinha, estas explosões sísmicas afectam os próprios animais marinhos, pelo ruído intenso e dinâmico emitido pelas explosões de pistola de ar. Para Francine Kershaw, cientista especializado em mamíferos marinhos e oceanos, do Natural Resources Defense Council, “permitir esta actividade devastadora – diante de fortes evidências de seu impacto – é sacrificar nossos oceanos e comunidades costeiras pelos lucros da indústria de petróleo e gás”.

Em 2015, 75 cientistas marinhos alertaram que o levantamento sísmico da costa leste dos EUA provavelmente teria “impactos significativos, duradouros e generalizados” na sobrevivência de peixes e populações de mamíferos marinhos na área.

A propósito destas explosões submarinas ensurdecedoras, vale a pena ver o vídeo realizado pela NRDC:

Foto: Creative Commons

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