Anacaona

No Haiti, um dos países mais pobres das Américas, há uma empresa de reciclagem de restos de sabão deixados por clientes de hotéis de luxo que faz a diferença. A Anacaona reduz o desperdício, dá emprego a mães solteiras em situação vulnerável, dando-lhe a oportunidade de enviar seus filhos à escola, e contribui para a redução de doenças transmissíveis pela água.

O projecto é simples, mas eficaz. Como relata a agência France-Presse, a jovem francesa Laure Bottinelli tropeçou nesta ideia de reciclar sabão durante os seis anos que esteve em missões humanitárias no Sudeste Asiático e decidiu aplicar a ideia no Haiti, criando, em Janeiro de 2016, a Anacaona, primeira e única empresa de reciclagem de sabão do Haiti.

Tem como parceiros 25 hotéis de Port-au-Prince e Jacmel, destino de fim-de-semana para muitos estrangeiros que vivem na capital. “Gostamos de participar em tudo o que seja promover a produção nacional e, neste caso, também havia o aspecto educativo relativo a questões de higiene, muito importante por causa da crise de cólera que temos aqui”, explica Mai Cardozo Stefanson, gerente do Montana, um hotel conhecido da capital, e um dos primeiros parceiros do projecto. “Os funcionários costumavam ficar com os restos de sabão para uso pessoal, mas agora recolhem esses restos para a Anacaona e em troca recebem barras de sabão novas”.

Recuperados de quartos de hotel, estes sabonetes usados são primeiro desinfectados, e depois triturados, derretidos e novamente embalados, tarefas executadas pelas três funcionárias da empresa.

“Não voltei para o Haiti para fazer mais uma ONG”, explicou Laure Bottinelli à AFP. “A ideia foi criar uma sociedade anónima legal, que empregue mulheres com contratos de trabalho e que ganhem um salário estável”, explica a responsável por esta pequena e jovem empresa com grande responsabilidade social, que dá prioridade ao emprego de mães solteiras. Magoiana Fremond, uma das funcionárias, diz “a Anacaona ajuda o país e ajuda-me a mim, e muito. Tenho os meus filhos na escola, comem todos os dias e já estou a construir uma casa”.

Parte da produção é distribuída em escolas de Jacmel, a par de filtros de água e acompanhada de acções de formação, contribuindo para a redução de doenças transmitidas pela água, um problema que assola o Haiti, onde 72% da população não tem casas de banho, nem acesso seguro a água potável. A epidemia de cólera que começou em 2010 matou cerca de 10 mil pessoas e, de acordo com Organização Mundial de Saúde, as doenças diarreicas são uma das principais causas de mortalidade infantil no país. Anacaona trabalha em particular com a Cité Soleil, a favela mais densamente povoada das Caraíbas, onde organiza diversas acções dedicadas a cuidados de higiene básicos.

Todo este trabalho, apesar de ainda estar no início, já foi reconhecido este ano pela Fundação Yves Rocher, que atribuiu a Laure Bottinelli e à Anacaona o prémio “Terre de Femmes”, reconhecendo o seu trabalho de ecologia solidária. Para quem deseje ajudar e contribuir para a criação de mais empregos, através de doações ou inscrevendo-se como parceiro ou voluntário, basta clicar aqui

Foto: Anacaona (via Facebook)

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