Safaris fotográficos colocam animais em perigo

Não há dúvida que participar num safari fotográfico é uma experiência única, oferecendo oportunidades inesquecíveis para observar animais selvagens no seu habitat natural e, com um pouco de sorte, até coleccionar um álbum fotográfico com imagens dos Big Five. Mas, se é verdade que os novos amantes da natureza trocaram as suas espingardas por teleobjectivas, ainda há quem não pense assim.

Um dos novos perigos à espreita aproveita a moda das redes sociais. De que forma? Passamos a explicar: há um ponto em que os caçadores têm razão, parte da adrenalina de qualquer safari está na habilidade (e sorte) de encontrar os animais difíceis. Por mais especialista que seja um guia, encontrar animais no mato nem sempre é tarefa fácil. Por isso, quando alguém partilha uma fotografia acabada de tirar a um leão, leopardo ou rinoceronte, pode estar a partilhar, inadvertidamente, o paradeiro de certos animais com caçadores furtivos.

Sherwin Banda, presidente da African Travel, um operador que organiza safaris fotográficos em países como a África do Sul, Bostwana, Uganda ou Tanzânia, tem vindo a alertar os seus clientes para o perigo de publicar imagens em aplicações como o Instagram. Estas aplicações móveis com funcionalidades de geolocalização, fornecem a localização exacta de cada fotografia, informação essa que fica automaticamente associada à imagem partilhada. Ou seja, se várias pessoas partilharem no mesmo espaço de tempo fotografias de um determinado animal, essas imagens vão dar aos caçadores furtivos informação actualizada e instantânea sobre a sua localização, facilitando muito o seu “trabalho”.

“As pessoas fazem um safari e tiram fotos para mais tarde recordar, mas o que elas não percebem é que há pessoas a vigiar todas estas imagens para obter informações para matar estes animais”, explica o responsável pela agência.

Os números mais recentes da caça furtiva em África são preocupantes. Na África do Sul, por exemplo, o número de rinocerontes mortos por caçadores furtivos aumentou para 1.175 em 2015, de apenas 13 em 2007.

Para contrariar este novo método de caça ilegal, já são vários os parques e reservas com avisos à entrada, que alertam os visitantes para desligar a geolocalização dos seus telemóveis antes de tirar e partilhar qualquer fotografia.

Foto: Creative Commons

Comentários (Facebook):

Deixar uma resposta