Quando a New Talisman Gold Mines anunciou a semana passada que tinha encontrado 8500 quilos de ouro de excelente qualidade na Garganta do Karangahake, os habitantes locais intensificaram os protestos. Há já alguns anos que a comunidade vinha lutando contra a permissão dada à empresa para explorar a região, uma paisagem natural e protegida:

“O governo e o departamento de conservação falharam na protecção desta terra sagrada”, disse Ruby Jane Powell, uma das líderes do grupo Protect Karangahake, ao jornal The Guardian.

Para a New Talisman Gold Mine, que desde 2009 conduz testes na zona, o achado vale milhões pois coloca o depósito de ouro no top 5 mundial em termos de qualidade. A empresa defende-se dizendo que a sua pegada será mínima e que todos os habitantes locais irão também beneficiar com a riqueza, mas, pelo menos para já, sem grande sucesso:

“Não deixem que a riqueza inestimável desta terra seja destruída pelo ouro dos outros” é uma das frases de ordem e, visto que habitantes e empresa mineira têm, pelo menos, de partilhar uma única e estreita estrada de acesso ao parque, uma das formas de luta preferidas da comunidade tem sido organizar pequenos passeios a pé, lentamente pela estrada, dificultando assim passagem dos camiões.

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A montanha de Karangahake é considerada uma terra sagrada para os nativos e está listada como uma das maiores atracções turísticas da Nova Zelândia, pelo Turismo do País. Atraindo sobretudo eco turistas,  já que oferece excelentes trilhos de caminhada, de escalada e cursos de água. “A nossa vida e actividade económica está intimamente ligadas à ecologia e esta exploração coloca tudo isso em causa, até porque o rio passa pela mina” refere também Powell.  

“Experienciar locais como este torna a vida fascinante. A exploração mineira nem tanto” é outro dos gritos de ordem.

Foto: Creatice Commons / Protect Karangahake

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