Ontem choveu e houve inundações nalguns pontos do país, mas o cenário traçado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) vai em sentido contrário. E não é animador: a Primavera este ano foi das mais quentes desde que há registo, a terceira mais alta desde 1931, depois de 1997 e 2011. Os índices de pluviosidade também foram inferiores à média, 75% do valor normal, e Abril foi mesmo o mais seco desde (também) 1931. Cerca de 80% do território nacional estava em seca severa ou extrema no final do mês de Junho e, das 60 barragens, praticamente 30% (18) estavam com metade da quota máxima. Alguns concelhos do Alentejo e da Beira Interior podem mesmo ficar sem água durante o mês de Agosto.

Perante este cenário o governo decidiu activar a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Efeitos da Seca, criada há cerca de um mês e, como relatou o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, à TSF, será também “elaborado um plano de contingência para enfrentar a seca e evitar consequências mais graves a meio do verão”

Na entrevista, Carlos Martins apontou também algumas medidas às autarquias, dizendo esperar que reactivem antigos furos de água para reforçar ou substituir o abastecimento actual, ou que reduzam a rega de espaços verdes. “Ninguém iria perceber que andássemos a regar rotundas numa altura em que há restrições de abastecimento à população ou ao gado. As rotundas não ficam com a mesma beleza… mas não são prioritárias”.

Talvez esta situação alerte os responsáveis para a importância de ter em funcionamento um plano para evitar as perdas de água nos sistemas de abastecimento e o reaproveitamento das águas residuais, diminuindo assim as exigências sobre os recursos hídricos existentes.

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