Segundo um estudo realizado por uma equipa de cientistas europeus, e recentemente publicado na revista “The American Journal of Clinical Nutrition”, as pessoas que comem batatas fritas duas ou mais vezes por semana duplicam o risco de morrer prematuramente.

Embora a ideia de que as batatas fritas são pouco saudáveis esteja generalizada, a verdade é que “o consumo de batatas fritas está a aumentar em todo o mundo” e que até agora os dados científicos eram “muito limitados”, explicou Nicola Veronese, investigadora da Universidade de Padova (Itália), à CNN. Esta especialista em medicina interna e bioquímica nutricional acompanhou, em conjunto com outros colegas, 4.440 pessoas entre 45 e 79 anos durante oito anos, estudando os hábitos alimentares de cada indivíduo, e utilizando os dados recolhidos para rastrear a ligação entre o consumo de batata e a mortalidade.

Nesse sentido, os pesquisadores dividiram os participantes do estudo em subgrupos com base na frequência com que comiam batatas por semana. Analisando os dados para cada grupo, Veronese e sua equipa descobriram que aqueles que comeram batatas fritas duas a três vezes por semana dobraram suas chances de morrer cedo em comparação com aqueles que não comeram batatas fritas. No total, e ao longo dos oito anos, morreram 236 participantes no estudo. 

Nos Estados Unidos, a polémica instalou-se com a publicação deste estudo em jornais de referência como o “Washington Post”, e com o National Potato Council a vir dizer a público que este estudo tem “falhas metodológicas significativas, que levaram a interpretações erradas dos dados”. Tratando-se de um estudo observacional, este não permite tirar conclusões definitivas ou fazer uma associação directa entre as batatas fritas e as mortes prematuras, pelo que, segundo Veronese, além da questão do óleo de cozinha, rico em gorduras também é necessário ter em consideração outros factores importantes quando falamos em risco de morte, como a obesidade, um estilo de vida sedentário e o uso de grandes quantidades de sal.

Para Susanna Larsson, professora no Institute of Environmental Medicine, Karolinska Institutet, em Estocolmo, na Suécia, não há provas que o consumo de batatas fritas por si só aumente o risco de morte. Por outro lado, para esta investigadora, “o consumo de batatas fritas talvez seja um indicador de uma dieta pouco saudável que essa, sim, está associada ao aumento da mortalidade”. Uma opinião partilhada pela nutricionista Jessica Cording, também citada pelo “The American Journal of Clinical Nutrition”, advertindo que “as batatas fritas são um alimento que proporciona grande quantidade de calorias, sódio e gordura, mas oferece níveis de nutrição mínimos”.

Para outros cientistas, o risco verdadeiro está no acrilamida, uma substância produzida quando alimentos que contém amido (como pão ou batatas) são expostas a temperaturas altas. A descoberta foi feita através da realização de testes a animais que, ao ingerirem, regularmente, comida queimada, desenvolveram cancro. Nesse mesmo sentido, a agência inglesa Food Standars Agency (FDA) já chegou mesmo a alertar para o perigo de comer batatas fritas, tostas ou torradas queimadas e sugere que estes alimentos sejam cozinhados a temperaturas mais baixas, evitando que fiquem crocantes e castanhos, mas apenas dourados. Sendo que o ideal será mesmo evitar fritos…

Foto: Creative Commons

 

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