A Universidade de Lund, na Suécia, realizou um estudo sobre as capacidades cognitivas dos corvos e os resultados deixaram a comunidade científica espantada. E a repensar a evolução da inteligência. 

Até agora acreditava-se que apenas algumas espécies de primatas – para além dos humanos, claro, eram capazes de pensar à frente, planear acções futuras, mas o estudo, agora publicado na revista Science, veio demonstrar que os corvos são animais muito mais inteligentes do que se pensava, com capacidades ao nível dos orangotangos e, nalguns casos, acima mesmo dos chimpanzés e das crianças de quatro anos.

“Quando confrontados com um desafio pela primeira vez, um teste de inteligência superior porque não é um hábito, os corvos comportaram-se melhor do que uma criança de quatro anos num ambiente semelhante” escreveram os cientistas na revista.  Aliás, num dos testes, um dos corvos suplantou os próprios autores do estudo e, de uma forma muito pouco desportiva diga-se, foi impedido de continuar.

O estudo envolveu cinco pássaros, três fêmeas chamadas Juno, None e Embla, e dois machos, Rickard e Siden, que no geral se portaram bastante bem nas trocas comercias, escolhendo objectos que poderiam ser mais tarde trocados por recompensas, ou provando ser perfeitamente capazes de recusar recompensas menores, no imediato, para alcançarem uma recompensa maior no futuro. Algo ainda hoje difícil para muitos humanos.

Num dos estudos, era-lhes mostrado como abrir uma caixa utilizando um determinado objecto. Depois, era-lhes mostrada a caixa, sem o utensílio, e retirada. Passado algum tempo, o utensílio aparecia, misturado com vários outros objectos, mas todos os corvos souberam escolher correctamente. Quando a caixa reaparecia, o que chegou a acontecer de um dia para o outro, os corvos também foram capazes de a abrir em 86% dos testes. Foi aliás num deles que uma das fêmeas “inventou” uma nova forma de abrir a caixa, que os cientistas não tinham previsto. Foi então que a retiraram de cena, para vergonha dos cientistas….

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