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Só em 2016, foram mortas 200 pessoas enquanto defendiam a terra, os recursos naturais, a vida selvagem ou a sua comunidade. Os números foram hoje divulgados pela Global Witness, revelando uma realidade cada vez mais assustadora. “Está a desenvolver-se uma cultura de impunidade”, revelou ao The Guardian John Knox, relator especial da ONU para os direitos humanos e o meio ambiente. “As pessoas em maior risco são as que já são marginalizadas e excluídas da política e da justiça, e que dependem do meio ambiente para sobreviver (…) Há a sensação de que se pode matar defensores ambientais sem repercussões, eliminar qualquer pessoa que se interponha no caminho da mineração, do agronegócio, da exploração madeireira ilegal e da construção de barragens”.

É por esse motivo, que o jornal britânico decidiu lançar hoje (13 de Julho) um projecto, em colaboração com a Global Witness, registando as mortes de todos os que foram assassinados em defesa do meio ambiente.

Uma das últimas mortes aconteceu a 27 de Maio, na Guatemala. Carlos Maaz Coc era um pescador, membro da comunidade indígena Q’eqchi e defensor ambiental. Foi morto durante uma manifestação pacífica contra a contaminação do lago e terras locais devido à  mineração de níquel na região. Mas as histórias multiplicam-se. De guardas de parques naturais na República Democrática do Congo a  activistas dos direitos dos indígenas no Brasil. Só nos primeiros cinco meses de 2017, já foram mortas 98 pessoas, o que significa que, estatisticamente, é provável que durante esta semana venham a ser assassinados quatro defensores do ambientais em algum lugar do planeta.

Os dados recolhidos mostram, por exemplo, que um dos principais culpados por toda esta mortandade é a indústria, principalmente a mineira, com 33 mortes no ano passado relacionadas a actividades anti-mineração. Segundo informação da Global Witness, a agricultura, as hidroeléctricas e a exploração madeireira foram as das grandes responsáveis pela violência observada. Muitos dos assassinatos ocorreram em aldeias remotas e esquecidas entre cordilheiras e florestas tropicais, sendo as comunidades indígenas as mais atingidas.

Foto: Viúva e filho de Carlos Maaz Coc – Sandra Cuffe/www.prensacomunitaria.org

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