Nizar Haddad é o homem por detrás desta ideia genial: uma casa totalmente sustentável e auto-sustentável, de baixo custo, projectada para reduzir a pegada de carbono utilizando materiais locais e técnicas ancestrais.

Apaixonado pela natureza e pelo conceito de arquitectura verde, este jovem libanês licenciado em arquitectura pela Académie Libanaise des Beaux Arts (ALBA), começou desde cedo a interessar-se pelo conceito de habitação sustentável e auto-suficiente, passando muito tempo a estudar o tema. Inspirou-se em grandes nomes da arquitectura mundial como Michael Reynold e seu famoso Earthship, Malcolm Wells, pioneiro no campo de moradias enterradas nos anos 50, ou Wallace Neff, mestre das casas de bolhas nos anos 1940. Haddad estudou também múltiplos métodos de construção ancestral, há muito esquecidos, conseguindo então produzir o protótipo mais ideal, ecológico, auto-suficiente e económico, já concebido. Foi assim que nasceu o projecto Lifehaus.

A NH-Architectes, sua empresa com sede no Líbano, foi fundada em 2011 com o objectivo de construir casas feitas de materiais locais e sustentáveis, com uso eficiente de energia através do design bioclimático, e sempre desenhadas e pensadas para se integrarem no ambiente urbano que as rodeia. Mantendo esses mesmos conceitos, agora a ideia é ir mais longe e desenvolver casas que também possam gerar sua própria electricidade e servir de plataforma para o cultivo de alimentos. Ou seja, a ideia do Lifehaus não é apenas oferecer uma opção sustentável, mas abordar muitas das questões sociais que têm vindo a afectar o Líbano, como a crise do lixo que assolou Beirute no ano passado.

Incluindo uma estufa para o cultivo de alimentos e painéis solares para geração de energia renovável, as casas Lifehaus promovem o uso sustentável da água através da colecta de águas pluviais e reutilização de águas cinzentas. E tudo isto, segundo o site Inhabitat, por metade do custo médio de uma casa libanesa sem mobília, que é de cerca de US $800 por metro quadrado.

“A indústria da construção do Líbano é um dos principais factores por trás da desertificação no país”, disse à Inhabitat a responsável pela comunicação do projecto, Nadine Mazloum. “Montanhas e montanhas inteiras estão a ser transformadas em terrenos baldios, enquanto a demanda por edifícios convencionais continua a aumentar. Além disso, sendo o Líbano um país em pós-guerra, com sucessivos governos, desde 1990, que foram e continuam a ser incapazes de dar à maioria dos cidadãos água e electricidade 24 horas por dia, deu-nos motivação para pensar fora da caixa”. 

Em 2015, no auge da crise do lixo que enchia as ruas durante semanas e até meses, Nizar Haddad e Nadine Mazloum decidiram dedicar-se totalmente ao Lifehaus. O foco era a reutilização deste lixo, reciclando-o como material de construção e até fazendo compostagem de lixo orgânico para uso no jardim como fertilizante.

Utilizando as tais técnicas de construção ancestral, como o uso de lama e argila em oposição ao betão, as casas Lifehaus podem ser parcialmente enterradas, e os telhados funcionar como espaço de cultivo, tornando-as mais resistentes a terramotos e minimizando a perda de calor. Mas para mais detalhes, o ideal é mesmo ver o vídeo que publicamos em anexo.

O primeiro protótipo será construído em Baskinta, terra natal de Nizar, e será um espaço residencial de 160 m2 formado por um estúdio com sala de estar, mezanine, terraço, estufa e sala técnica. Tudo leva a crer que este jovem, filho de Georges Haddad, um arquitecto libanês famoso por ter sido um dos pioneiros na introdução da arquitectura moderna no Líbano, também vai ficar para a história do país…

Foto: Lifehaus

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