Golfinho_Mediterrâneo

Quando chegam os meses de Verão, são várias as empresas que oferecem excursões, a partir de portos da Côte d’Azur, para nadar com golfinhos e outros cetáceos ao largo da costa francesa.

Esta quinta-feira várias associações ambientalistas – France Nature Environnement, le Groupe de Recherche sur les Cétacés, la Fondation pour la Nature et l’Homme, Souffleurs d’Ecume e SOS Grand Bleu – juntaram-se para, em comunicado, fazer um apelo ao fim destas saídas para o mar que, apesar de serem “um verdadeiro sucesso” no Mediterrâneo francês, “perturbam de forma extrema estes animais”.

“Esta prática consiste em colocar os clientes na água muito perto dos cetáceos (golfinhos, baleias e cachalotes), perseguidos por pequenas embarcações”. As associações ambientalistas dizem que o problema não está no “whale watching” tradicional, que está suficientemente regulamentado, mas sim neste tipo de actividade turística em crescimento, realizada quase sempre sem critério. Para estes ambientalistas, perseguir estes cetáceos dentro da reserva marinha de Pelagos, a maior área marinha protegida do Mediterrâneo, localizada entre a Itália, a França e a ilha da Sardenha, é um assédio sem limites.

“A imersão de um homem perto de uma baleia geralmente provoca a interrupção da actividade de alimentação e reprodução do animal ou a separação de um grupo e mesmo entre recém-nascidos e as suas mães”, explicam os responsáveis no comunicado divulgado pela AFP, “além do perigo para o cliente que, na maioria dos casos, ignora totalmente o meio ambiente e mamíferos marinhos”.

As associações lançaram uma petição para proibir esta actividade. Pedem, no mínimo, que “as sanções e controlos sejam reforçadas”, disse à AFP François Piccione, da France Nature Environnement, que reconhece que o impacto sobre os golfinhos é difícil de medir, por falta de estudo quantitativo.

Em declarações à mesma agência noticiosa, a prefeitura marítima do Mediterrâneo, diz levar o assunto “muito a sério”, lembrando que a legislação proíbe a perturbação deliberada desses animais. “Cartas de aviso serão enviadas em breve” aos profissionais com os quais já tinha sido estabelecida uma carta de boa conduta, acrescentou a mesma fonte, sublinhando também que é difícil verificar infracções em alto mar.

Estas acusações são, no entanto, desvalorizadas pelos profissionais visados. Isabelle Frémont, que opera um destes barcos de passeios, disse à AFP que apenas há três empresas activas no Mediterrâneo, assegurando que “não há perigo nem para os golfinhos, que até gostam de brincar nas ondas dos barcos, nem para os participantes”, e acrescenta: “para angariar fundos, estas associações têm que mostrar que protegem os golfinhos, por isso decidiram meter-se connosco”.

Foto: Creative Commons

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