As conclusões do Fórum Mundial dos Produtores de Café que se realizou em Medellín, na Colômbia, entre os dias 10 e 12 de Julho, não são animadoras: as alterações climáticas estão a ameaçar a produção mundial de café, dizem os especialistas. “Todos serão afectados”, disse à AFP o brasileiro José Sette, director executivo da Organização Internacional do Café (OIC), que reúne 43 países exportadores e sete importadores.”O café é altamente sensível a pequenas mudanças na temperatura. À medida que a temperatura sobe, todos os países serão afectados.”

A terra arável para o café poderá ser reduzida para metade até 2050 por causa do aumento das temperaturas, que promove maior desenvolvimento de doenças que tradicionalmente atacam a planta, de acordo com um relatório do Instituto Australiano de Climatologia lançado em 2016. Mas não é só. De acordo com a OIC, nos últimos dois anos a produção já foi inferior ao consumo, que por sua vez tem assistido, desde 2012, a um crescimento médio anual de 1,3%.

“Este ano não vai existir produção de café em algumas áreas (da Colômbia)”, disse Roberto Vélez, gerente da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (FNC), explicando que este país sul-americano teve de reduzir em 14 milhões de sacas a projecções de produção para 2017 devido às fortes chuvas entre Novembro de 2016 e início de Março.

O decréscimo da produção afecta cerca de 25 milhões de famílias em 60 países vivem na produção de café, um mercado de 100 mil milhões de dólares em todo o mundo, de acordo com dados da OIC do primeiro trimestre de 2017. Entre as soluções apontadas durante o Fórum está a alteração dos locais de plantação, o recurso ao plantio de outras espécie que proporcionem sombra ao café, e a criação de variedades mais resistentes e o aumento da produção por hectare. Além da necessária redução das emissões de carbono a nível mundial, claro. 

Foto: Creative Commons

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