O Comité do Património Mundial da UNESCO, reunido em Cracóvia até 12 de Julho, decidiu excluir a Grande Barreira de Coral da lista de património em risco. A notícia foi aplaudida pelo governo australiano, mas a Greenpeace já veio relembrar que o perigo se mantém inalterado, relembrando o alerta recente face para a possibilidade de os recifes de coral desaparecerem até ao fim do século.

Em Maio deste ano, a Great Barrier Reef Marine Park Authorit tornou públicos dados que anunciavam a morte de 50% dos recifes da Grande Barreira de Coral como resultado de dois grandes eventos de branqueamento, um em 2016 e outro em 2017. Este branqueamento ocorre quando os corais sofrem mudanças ambientais e expulsam as algas que vivem em seus tecidos. Com isso, perdem sua principal fonte de nutrientes e ficam mais susceptíveis à morte. O processo pode ocorrer por mudanças na temperatura da água e, por isso, é intensificado pelo aquecimento global.

O empenho do governo australiano em combater as alterações climáticas também tem sido muito questionado pelos ambientalistas. A Greenpeace divulgou em comunicado esta semana que o executivo está a apoiar a construção daquela que virá a ser a maior mina de carvão do país, o que irá resultar no envio marítimo de milhões de toneladas do combustível fóssil através da Grande Barreira de Coral, e na construção de um terminal de maiores dimensões.

“O governo australiano diz que está empenhado em preservar o Recife para as gerações futuras, mas suas acções deixam bem claro que não se preocupa com o suficiente para fazer o que precisamos para salvá-lo”, disse Alix Foster Vander Elst, representante da Greenpeace Australia Pacific. “Quando o governo está a gastar 55 vezes mais em subsídios de combustíveis fósseis do que no seu muito elogiado plano Reef 2050, é bem claro quais são suas verdadeira prioridades. A mina Carmichael é uma bomba climática que põe em perigo o Recife e desafia o acordo climático de Paris”, conclui o responsável da Greenpeace. 

Ainda assim, tanto a UNESCO como o próprio comité consultivo do governo relativamente ao Reef 2050 advertem que este plano que aborda principalmente a qualidade da água e o desmatamento, é inadequado e insuficiente porque não aborda a mudança climática – a principal ameaça para o Recife.

O relatório científico da UNESCO sobre recifes de corais, divulgado em 23 de Junho, adverte que a única maneira de salvar os recifes da destruição certa antes do final do século é parar o aquecimento global bem abaixo dos 1,5 – 2 graus Celsius em relação aos níveis pré-industriais.

Foto: Creative Commons

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