“Quantas ruas, jardins públicos, instituições têm árvores cuja fruta fica na árvore, é apanhada antes de estar madura (mais em concreto nas ruas onde existem ameixas – apanhadas antes de serem próprias para consumo para evitar danos nos carros e sujidade), fruta que cai e apodrece?” É com esta interrogação que Sofia Lage apresenta a votação o seu projecto de combate ao desperdício de fruta no Orçamento Participativo Portugal.

Como pode ler-se no site do OPP, este “é um processo democrático, directo e universal, através do qual as pessoas decidem sobre investimentos públicos em diferentes áreas de governação”. Tem como objectivo construir em Portugal um projecto que aproxime as pessoas da política e que promova maior ligação e integração entre territórios. Envolvendo cada um de nós, primeiro através da apresentação de ideias e depois através de votação online, as pessoas podem decidir como investir três milhões de euros nas áreas da cultura, ciência, educação-formação de adultos e agricultura, no continente, e nas áreas da justiça e da administração interna, nas Regiões Autónomas.

Ora, o “Fruta de Rua” é um dos 599 projectos do OPP que passaram à fase final de votação online. Caso seja aprovado, o projecto será depois, operacionalizado pelas entidades competentes — no caso do Fruta de Rua, a execução ficaria a cargo das câmaras municipais, como explica Sofia Lage ao jornal Público, que publicou ontem uma reportagem dedicada ao projecto desta museóloga, filha de agrónomos e natural de Valpaços, em Trás-os-Montes, que sempre foi sensível ao desperdício alimentar.

A sua ideia é simples: “Mapear as árvores de fruto que estão em terrenos públicos (ruas, jardins ou congéneres), pomares de instituições (alguns deles abandonados) que possam/queiram ser incluídos no projecto; Identificação dos frutos que poderão fazer parte da bolsa. Identificar as tipologias de árvores existentes (maçãs, laranjas, ameixas…) e criação de tipologias com base nas suas características e calendário de apanha; Calendarização das janelas temporais da apanha. Calendarizar os períodos de apanha de cada tipologia (antecipando a queda e estabelecendo um prazo para o período de apanha); Criação de bolsa de oferta. Criar uma bolsa oferta da fruta mapeada, identificada e com a janela temporal de apanha previamente definida; Lançamento do “concurso” de acesso a esta bolsa. Abrir esta bolsa a projetos de empreendedorismo social (como exemplo o Zé Picolé, SAOM…) e/ou instituições sociais que possam consumir ou transformar esta fruta em produtos para venda (…)”, poder ler-se no site do OPP.

Mas a par deste projecto, existem várias outras propostas de empreendedorismo social a votação. É o caso de um projecto de hortas escolares, que visa promover sinergias entre escolas e a colaboração das comunidades locais; de outro que pretende aproveitar os produtos hortícolas excedentes da produção de hortas familiares e comunitárias; da implementação de pequenos circuitos de comercialização para os produtos de pequenos produtores; ou da criação de uma horta comunitária e ateliers de tradições antigas como o bordado da Madeira e as tapeçarias de Arraiolos; e ainda de projectos dedicados à recuperação de moinhos tradicionais movidos a água ou de criação de hortas científicas.

O “Fruta de Rua” e todos os outros projectos vão estar em votação para o Orçamento Participativo Portugal até 10 de Setembro de 2017. 

Foto: Creative Commons

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