Açúcar

Segundo um estudo recente de investigadores da University College London, publicado na Scientific Reports e citado pelo Huffignton Post, há uma ligação entre uma dieta rica em açúcar e maior risco de desenvolver problemas de saúde mental.

O Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido recomenda um consumo máximo de 30 gramas de açúcar por dia (o equivalente a sete cubos) e a Organização Mundial da Saúde indica que deveríamos reduzir esse consumo para menos de 25 gramas (5% do consumo diário energia) para ter “benefícios adicionais de saúde.”

No entanto, as pessoas no Reino Unido consumem o dobro – nos EUA, o triplo – da quantidade de açúcar recomendada. E três quartos destes açúcares provêm de alimentos e bebidas doces, como bolos e refrigerantes. O resto vem de outros alimentos processados, como o ketchup. Ao mesmo tempo, uma em cada seis pessoas em todo o mundo sofre de um transtorno mental comum, como alterações de humor ou problemas de ansiedade. Ora o estudo agora realizado por Anika Knüppel, doutorada em Epidemiologia e Saúde Pública pela UCL, e seus colegas parece provar que existe uma ligação entre alto consumo de açúcar e alguns distúrbios mentais comuns.

O estudo mostrou que os homens com distúrbios pré-diagnosticados que consumiam mais de 67 gramas de açúcar por dia são 23% mais propensos a ter uma doença desse tipo nos próximos cinco anos em comparação com aqueles que consomem menos de 40 gramas. Os investigadores também concluíram que as pessoas que já tinham sofrido um distúrbio de humor e consomem uma grande quantidade de açúcar são mais propensos a cair em uma depressão ao longo dos próximos cinco anos, em comparação com aqueles que consomem menos açúcar. E este efeito é independente do status socioeconómico, actividade física, consumo de álcool ou tabaco, percentagem de gordura corporal e hábitos alimentares.

Estes dados confirmam conclusões de estudos anteriores.

Como relata a própria autora do estudo na revista The Citizen, já numa investigação de 2002, a relação entre a ingestão de açúcar e depressão foi analisada em seis países descobriram que o aumento do consumo de açúcar refinado foi associada a uma taxa mais elevada de pessoas que sofrem de depressão. “E, em 2011, um grupo de investigadores espanhóis descobriram que os participantes que consumiram produtos de panificação industrial eram 38% mais propensos a desenvolver depressão em comparação com aqueles que consumiam menos”.

Da mesma forma, em 2014, um grupo de cientistas norte-americanos descobriu que as bebidas açucaradas e adoçadas artificialmente poderia aumentar a probabilidade de seus consumidores virem a desenvolver depressão. E, mais recentemente, um estudo de 2015 que inclui quase 70 mil mulheres, descobriu que os indivíduos que ingeriram produtos com adição de açúcares eram mais propensos a sofrer de depressão, o que não acontecia com aqueles que comeram açúcares naturais, tais como os presentes na fruta.

Como relata o Huffington Post, “os autores do estudo propõem várias razões que podem levar o açúcar a ter este efeito: pode estimular a produção do factor neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), uma proteína que, acredita-se, está envolvida no desenvolvimento de depressão e ansiedade. Outra causa possível é a inflamação. As dietas ricas em açúcares que podem provocá-la devido a uma reacção de defesa do organismo, para proteger-se de microorganismos ou substâncias estranhas. A dopamina pode também ser a culpada, pois já foi demonstrado que os doces são tão viciantes como a cocaína e afectam o sistema de recompensas do cérebro”. 

Foto: Creative Commons

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