Calor extremo está a mudar lagostim-vermelho, uma das piores espécies invasoras em Portugal

Um estudo agora divulgado revela que o lagostim-vermelho-da-Louisiana (Procambarus clarkii), a espécie invasora de lagostim mais bem-sucedida do mundo, muda os seus padrões alimentares com o aumento da temperatura da água. As projecções indicam que num futuro próximo as ondas de calor serão cada vez mais frequentes, intensas e de longa duração, o que poderá alterar de forma drástica o comportamento destes animais.

Tida como umas das espécies invasoras que causam mais danos ecológicos e económicos a nível mundial, o lagostim-vermelho-da-Louisiana foi já responsável por extinções regionais e globais de espécies um pouco por todo o mundo. Originário do sul dos Estados Unidos e do nordeste do México, este lagostim de água doce é responsável pela degradação dos habitats que invade.

Os resultados desta investigação sugerem que as alterações climáticas podem mudar a natureza do impacto do lagostim-vermelho-da-Louisiana nos ecossistemas. “As ondas de calor provocaram um aumento do consumo da dieta vegetal, particularmente elevado nos lagostins juvenis, mais carnívoros que os adultos. Assim, prevê-se que as alterações climáticas alterem significativamente a natureza do seu impacto nos ecossistemas”, explica Bruno Carreira, autor do estudo e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL).

Ao adoptar uma dieta mais herbívora, o lagostim-vermelho-da-Louisiana altera a sua posição na cadeia alimentar, o que se pode traduzir em alterações nos principais impactos desta espécie: “A maior herbivoria com o aumento da temperatura da água poderá intensificar o impacto ecológico desta espécie na vegetação aquática de ecossistemas com elevada biodiversidade, como é o caso dos charcos temporários mediterrânicos”, explica Rui Rebelo, coordenador do projecto, docente na FCUL.

“Para além disso, praticamente todos os arrozais do país têm populações estabelecidas de lagostim-vermelho-da-Louisiana, onde a época de crescimento dos lagostins juvenis coincide com a época de crescimento das plantas de arroz. Assim, uma maior tendência para a herbivoria por parte destes juvenis pode aumentar o consumo da planta de arroz e os impactos económicos deste lagostim”, conclui. 

Foto: ACREMAR / flickr

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